Para comprar cesta básica, quem ganha salário mínimo precisa trabalhar mais de 14 dias

Levantamento do Dieese indica que valor subiu em 16 das 17 capitais pesquisadas em outubro

Controle
Seus Gastos
Por Redacao PAN

 

Quem ganha o salário mínimo no Brasil precisou trabalhar, em média, 118 horas e 45 minutos - o equivalente a pouco mais de 14 dias - para comprar os produtos da cesta básica, conforme cálculo do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

 

A pesquisa mensal realizada pelo Dieese mostrou que, em outubro, o valor da cesta subiu em 16 das 17 capitais.

O levantamento ainda indicou que o custo da cesta, na média entre as 17 cidades, foi equivalente a 58,35% do valor líquido do salário mínimo, considerando a quantia que um trabalhador com essa remuneração recebe efetivamente, depois do desconto referente à Previdência Social (7,5%).

Aumento de preços da cesta básica em 16 capitais em outubro

Foto mostra mulher com blusa rosa empurrando carrinho de compras em supermercado e segurando caderno na mão direita

Das 17 cidades em que o Dieese faz a pesquisa, o preço da cesta básica subiu em 16 em outubro. Os maiores aumentos foram registrados em Vitória (ES), com 6% de alta, e Florianópolis, com 5,71%.

Somente no Recife ela teve um pequeno recuo no valor: lá, esse conjunto de produtos ficou 0,85% mais barato no mês passado.

Florianópolis, capital de Santa Catarina, é a cidade onde a cesta básica é mais cara: R$ 700,69. No outro extremo da lista, a cidade com a cesta mais barata é Aracaju, capital do Sergipe: R$ 464,17.

Veja abaixo quanto custa a cesta básica em cada uma das capitais pesquisadas pelo Dieese e, entre parênteses, quanto variou o preço do conjunto de produtos em cada capital em outubro em relação a setembro:

  • Florianópolis: R$ 700,69 (5,71%)
  • São Paulo: R$ 693,79 (3,02%)
  • Porto Alegre: R$ 691,08 (2,78%)
  • Rio de Janeiro: R$ 673,85 (4,79%)
  • Vitória: R$ 670,99 (6,00%)
  • Campo Grande: R$ 653,40 (3,58%)
  • Brasília: R$ 644,09 (4,28%)
  • Curitiba: R$ 639,89 (4,75%)
  • Belo Horizonte: R$ 598,79 (2,78%)
  • Goiânia: R$ 591,78 (3,08%)
  • Fortaleza: R$ 563,96 (2,15%)
  • Belém: R$ 538,44 (1,10%)
  • Natal: R$ 504,66 (2,30%)
  • João Pessoa: R$ 491,12 (3,04%)
  • Salvador: R$ 487,59 (1,82%)
  • Recife: R$ 485,26 (-0,85%)
  • Aracaju: R$ 464,17 (2,23%)

No acumulado do ano, de janeiro a outubro, o preço da cesta subiu em todas as capitais pesquisadas.

Os maiores aumentos foram registrados em Curitiba (18,42%), Florianópolis (13,83%) e Campo Grande (13,34%). Do outro lado, os menores reajustes aconteceram em Salvador (1,78%), Aracaju (2,43%) e Recife (3,38%).

Produtos que mais subiram de valor em outubro

Mulher de blusa amarela e máscara escolhe batatas em uma loja

Os produtos que foram os principais responsáveis pela alta da cesta básica em quase todas as cidades pesquisadas pelo Dieese foram a batata, o café, o tomate, o açúcar e o óleo de soja.

Veja abaixo as variações desses itens nas diversas cidades pesquisadas pelo Dieese.

Batata: alta em 10 cidades, com taxas que oscilaram entre 15,51%, em Brasília, e 33,78%, em Florianópolis. Motivo: a chuva causou dificuldade na colheita e reduziu a oferta, o que elevou os preços no varejo.

Café em pó (kg): subiu em 16 capitais, com destaque para as variações de Vitória (10,14%), Rio de Janeiro (10,06%), Campo Grande (9,81%) e Curitiba (9,78%). Motivo: a geada do final de julho e a estiagem prolongada comprometeram a oferta do grão, o que levou à alta do preço no varejo. Houve ainda influência da baixa oferta global de café e das elevadas cotações externas.

Tomate (kg): aumento de preço em 16 capitais. As maiores altas foram observadas em Vitória (55,54%), João Pessoa (44,83%), Natal (42,16%), Brasília (40,16%) e Campo Grande (32,69%). Motivo: a maturação lenta do fruto reduziu a oferta e os preços subiram.

Açúcar: aumentou em 15 capitais, e as altas oscilaram entre 0,27%, em João Pessoa, e 7,02%, no Rio de Janeiro. Em Aracaju, o preço não variou e houve redução em Natal (-0,25%). Motivo: a menor oferta e o alto volume exportado explicaram as elevações dos preços.

Óleo de soja: alta em 13 das 17 capitais, entre setembro e outubro. Os maiores aumentos ocorreram em Vitória (3,22%), Brasília (2,40%), Campo Grande (2,16%), Rio de Janeiro (1,81%) e São Paulo (1,76%). As retrações mais relevantes foram de Natal (-0,90%) e Aracaju (-0,49%).

Motivo: o crescente volume exportado e a valorização do preço do petróleo, que elevou a procura pelo biodiesel (cujo insumo é o óleo de soja), reduziram a oferta e contribuíram para o aumento dos preços.

Diante da alta dos preços e do valor da cesta básica, é sempre bom saber como se preparar para as despesas de cada mês. Veja essa ferramenta lançada pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos) para te ajudar a planejar suas finanças.