Comprar a casa própria ou alugar?

Controle
Seus Gastos
Por Rodrigo Chiodi
Comprar a casa própria ou alugar um imóvel é uma dúvida cruel, mas que não é à toa. Tanto que lá atrás, em 1997, os americanos Robert Kiyosaki e Sharon Lechter escreveram o livro “Pai Rico, Pai Pobre”, que já teve mais de 26 milhões de exemplares vendidos em 40 idiomas — português, inclusive.

O livro conta a história de dois jovens que têm pais com visões diferentes sobre finanças. Um deles, que é o chamado pai rico, explica que o ideal é você fazer o dinheiro “trabalhar para você”. Ou seja, não deve comprar imóveis nem outros bens que vão consumir o seu dinheiro. Em vez disso, deve investir em ações, por exemplo.

Mas calma lá.

Não é só porque o livro diz isso que você deve desistir de comprar um imóvel e partir para o aluguel. A visão do pai rico é apenas uma forma de pensar. Algumas pessoas de fato conseguem fazer isso, mas elas são extremamente disciplinadas.

Para muita gente, um imóvel significa ter uma segurança na vida. Tanto que em janeiro, uma pesquisa
da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas junto com Serviço de Proteção ao Crédito mostrou que comprar (ou reformar) um imóvel era o objetivo de 28% dos brasileiros para 2020. Esse desejo ficava atrás apenas de guardar dinheiro (49%) e fazer uma viagem (30%).

Já que não existe uma resposta definitiva para a pergunta sobre qual é melhor — alugar ou comprar —, vamos ver quando cada opção vale a pena.

Quando vale a pena comprar?

O negócio precisa ser bom sempre. Você precisa analisar não apenas o apartamento/casa que agrada, mas principalmente os aspectos financeiros. Então, algumas situações podem ser mais favoráveis para a compra. Por exemplo, se você tiver dinheiro para comprar à vista ou de fazer um financiamento que caiba confortavelmente no seu bolso, com taxas de juros baixas, a compra pode ser um bom negócio.

Outra situação a considerar é a valorização. Avalie se o imóvel que você escolheu tende a se valorizar no futuro por causa da região ou das características do mercado. Mas cuidado: não há nenhuma garantia de que uma região vá valorizar. O que normalmente você encontra são indícios. É sempre uma aposta.

Por mais que você ouça histórias de bairros onde o metro quadrado dobrou de valor em poucos anos, não crie essa expectativa. Esse tipo de coisa é exceção, e não regra. De 2009 a 2019, a valorização média dos imóveis no Brasil foi de 15,3% segundo a Associação Brasileira de Incorporadoras Mobiliárias (Abranic). E isso nem mesmo quer dizer que os imóveis subiram de preço o tempo todo no País. Por exemplo, em julho de 2020, durante a pandemia, imóveis residenciais subiram apenas 0,08% numa média tirada em 50 cidades. Isso é menos até que a inflação. No acumulado do ano, a alta foi de apenas 0,46%, o que é pouco.

Quando vale a pena alugar?

Quando o valor do aluguel é baixo e você consegue guardar dinheiro mensalmente, esta opção talvez seja válida. Aliás, é isso que têm feito os irmãos youtubers Willou e Watson, que gravaram um vídeo sobre o tema para o canal Pra Fazer Mais, do Banco PAN.



A lógica é a seguinte: imagine que um aluguel custe R$ 1.000 por mês e que pagar esse valor não seja uma quantia muito alta para o seu orçamento. Então, com todas as suas despesas, você ainda consegue guardar R$ 500 por mês. Se você conseguir fazer isso por 30 anos, com um rendimento relativamente baixo, de 0,75%, segundo cálculos do site Dinheirama, você vai acumular mais de R$ 922 mil depois desse período. Dá para comprar um belo apartamento em qualquer cidade do Brasil.

Claro, não precisa esperar 30 anos para comprar o imóvel. Se o rendimento for melhor ou se o imóvel for mais modesto, dá para sair do aluguel bem antes disso.