Golpe promete empréstimo com emissão do documento Decore. Saiba como evitar

Golpistas pedem pagamento por PIX ou boleto para emitir documento que daria acesso a crédito, mas proposta é falsa

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Por Redacao PAN

Golpes em que os criminosos usam o celular - WhatsApp ou SMS - para aliciar possíveis vítimas estão cada vez mais frequentes e até engenhosos. 

Uma fraude que tem se difundido recentemente envolve promessa de empréstimo mediante o pagamento para a emissão de um documento contábil, chamado Decore. Vamos explicar como ela funciona e como você pode evitar ser vítima.

Se alguém te falar que representa o Banco PAN e que precisa de algum valor para emitir um Decore, não deposite, é golpe!

Em nenhuma situação o PAN vai pedir que deposite dinheiro como pré-requisito para conceder empréstimos.

Como funciona o golpe da emissão de Decore

Decore (Declaração Comprobatória de Rendimentos) é um documento que serve para comprovar os rendimentos de uma pessoa física. Ele só pode ser emitido por contadores.

Na fraude que está fazendo vítimas envolvendo esse documento, os golpistas enviam mensagens a milhares de pessoas, por SMS ou WhatsApp, dizendo - de maneira falsa - que representam um banco e prometendo a liberação de um crédito - empréstimo ou cartão. 

A quem responde com interesse no produto, os criminosos dizem que, para conseguir o crédito, será necessária a emissão de Decore para comprovar o rendimento da pessoa.

Em alguns casos, os golpistas dizem até o nome de um suposto funcionário do banco que dizem representar. Esse funcionário seria responsável pela liberação da linha de crédito. Tudo é feito para tornar a história mais crível e tentar convencer a vítima.  

Em seguida, os golpistas dão um número de WhatsApp que seria de um escritório de contabilidade parceiro do banco que mencionaram. Esse escritório seria responsável pela emissão da Decore. É tudo mentira: não há escritório de contabilidade nem banco.

E é aqui que entra o esquema que vai fazer a vítima. Os golpistas dizem que há um custo para emitir o documento e pedem o pagamento, por PIX ou boleto.

Quando a pessoa paga, o golpe está consumado, e os golpistas saem de cena com o dinheiro no bolso. 

Além de citar nomes de bancos conhecidos, os criminosos muitas vezes envolvem nomes de escritórios de contabilidade verdadeiros. Por isso, o golpe chegou ao conhecimento do CRC-SP (Conselho Regional de Contabilidade - São Paulo), que vem recebendo denúncias sobre ele.

Mas, como dissemos, eles não representam nem os bancos nem os escritórios de contabilidade que mencionam. Apenas usam os nomes para dar credibilidade à história e conseguirem o dinheiro das vítimas.

Como evitar ser vítima do golpe de Decore

Ilustração mostra uma pessoa clicando num celular, que é maior do que ela. A ilustração simboliza “perguntas e respostas”, sendo que a pessoa está fazendo uma

Como nessa fraude os criminosos envolvem nomes de empresas conhecidas, é possível que a vítima não desconfie que se trata de uma proposta falsa. Até porque, ao pesquisar o nome delas, descobre que de fato existem.

Então, segue a dica de ouro para evitar ser vítima desse golpe. Se for abordado com uma promessa de crédito, mas que tem uma exigência de pagamento de qualquer tipo, é hora de acender o alerta!

Entre em contato com o banco que é mencionado na conversa por seus canais oficiais e busque saber se existe de fato uma oferta de crédito em seu nome. É a primeira etapa para evitar perder dinheiro.

Para não cair nesse golpe, é necessário ter muita atenção. Isso quer dizer que não basta checar na internet os nomes das instituições mencionadas pelos golpistas, por exemplo. Isso até pode ajudar, mas não resolve o caso. É necessário entrar em contato direto com a instituição pelas vias oficiais.

Se no canal oficial do banco for informado que não há o tal crédito disponível, não acredite em quem te abordou nem insista.  

No caso do PAN, é importante você saber: o banco não pede o Decore para nenhuma de suas linhas de crédito, seja empréstimo pessoal, consignado, financiamento ou cartão de crédito.  

Escritórios de contabilidade também em alerta com o golpe

Um homem de óculos olha com atenção para o celular enquanto apoia a cabeça com uma das mãos

Não é só às vítimas e aos bancos que o caso preocupa. Contadores de todo o país estão cientes de que golpistas têm aplicado esse golpe e também orientam sobre o que fazer no caso do golpe do Decore. 

O vice-presidente de Administração e Finanças do Conselho Regional de Contabilidade de São Paulo (CRC-SP), José Aparecido Maion, alertou para que as pessoas, antes de tudo, verifiquem se o escritório de contabilidade que foi mencionado pelos golpistas para emitir o Decore realmente existe.

Lembre-se de que essa simples checagem não anula o risco de você estar sendo uma vítima de golpe. É preciso ter cuidado redobrado, porque os golpistas usam até nomes de escritórios confiáveis que realmente existem.

Por isso, o segundo passo é checar diretamente com as instituições. Seja o banco ou o próprio escritório. Sempre pelas vias oficiais. 

Além disso, Maion diz para as pessoas que perceberem indícios de golpes enviarem suas denúncias aos conselhos de contabilidade. É importante que esses profissionais saibam como os golpistas têm agido.

O consumidor também deve entrar em contato com o banco que foi mencionado pelos golpistas. De novo: o contato deve ser feito pelas vias oficiais da instituição financeira.  

O vice-presidente do CRC-SP também afirmou que, caso a pessoa já tenha caído no golpe, deve fazer um Boletim de Ocorrência. 

Depois, é importante procurar o conselho de contabilidade do estado para checar se a empresa mencionada na fraude realmente fez uma emissão da Decore.

Maion faz essa orientação porque a Decore só pode ser emitida por contadores. Portanto, a ação dos golpistas consiste, em geral, na emissão de uma Decore falsa. 

Porém, se houver a emissão de uma Decore original, é sinal de que os golpistas tiveram acesso ao sistema que só contadores têm. Daí a necessidade de o conselho de contabilidade saber de tudo o que se passa.

O objetivo é que golpistas não consigam enganar ninguém nem ter acesso a sistemas de emissão de documentos oficiais. Assim, quem sai ganhando é o consumidor.