Inflação recua para todas as faixas de renda em novembro, diz pesquisa

Ipea mostrou ainda que, em 12 meses, a alta dos preços pesou mais para as famílias de renda média baixa e renda muito baixa

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Por Redacao PAN

A inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), índice considerado o oficial do país, foi menor em novembro do que em outubro. E, quando analisada por faixa de renda das famílias brasileiras, essa redução aconteceu em todas elas. 

A informação é do Indicador de Inflação por Faixa de Renda, estudo feito todos os meses pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), divulgado nesta quarta-feira (15). 

Desta vez, a análise mostrou que, enquanto a inflação do segmento de renda mais baixa passou de 1,35% em outubro para 0,65% em novembro, a das famílias de renda média e média alta caiu menos, de 1,10% para 1,08%.

O dado é uma novidade para quem se acostumou nos últimos meses a ver a inflação afetar de modo mais intenso as famílias de renda mais baixa.

As quedas nos preços de itens importantes na cesta de consumo, como cereais (-3,2%), carnes (-1,4%) e leite e derivados (-1,5%) explicam como o segmento “alimentos e bebidas” colaborou para aliviar a inflação das famílias de renda mais baixa. 

Já os aumentos de preços dos grupos “transporte” e “habitação” foram os que mais contribuíram para a alta dos preços das famílias de todas as faixas de renda. 

Os reajustes da gasolina (7,4%), do etanol (10,5%), das tarifas de ônibus interestadual (1,6%) e dos transportes por aplicativo (6,8%), além da variação nos preços dos automóveis novos (2,4%) e usados (2,4%) foram os principais “vilões” do aumento de preços do grupo de “transporte”. 

Já no grupo “habitação”, a inflação foi causada, principalmente, pelas altas da energia elétrica (1,2%), do gás de botijão (2,1%) e do gás encanado (2,0%), além dos aluguéis (0,84%) e condomínios (0,95%).

Como foi a inflação por faixa de renda

Menina sentada à mesa em cadeira de madeira mexe com garfo em prato com comida e homem com a mão esquerda apoiada na mesa, em pé, atrás dela, faz carinho em seus cabelos. A menina é negra, tem cabelos cacheados presos e usa camiseta amarela. O homem é branco, usa camiseta branca e calça jeans. Na mesa há outro prato com comida, dois copos de vidro com líquido amarelo claro, uma caneca azul, um prato com bolinhos e uma cesta com bananas, além de uma garrafa de vidro com o mesmo líquido dos copos

O Ipea realiza esse estudo de inflação por faixa de renda todos os meses, baseado nos dados de preços pesquisados para o IPCA, por ele ser a inflação oficial do país.

A medição da inflação por grupo é feita baseada nos produtos mais consumidos em cada faixa de renda e na participação deles no orçamento de cada família. 

É dessa forma que o instituto consegue medir a faixa de renda que foi mais impactada pela alta geral dos preços. 

No caso das faixas mais altas, a alta dos serviços pessoais e de recreação, como hospedagem (2,6%) e pacote turístico (2,3%), contribuíram para a inflação em novembro. 

Para essas famílias, parte do impacto da inflação dos transportes foi amenizado pelas quedas de 6,1% das passagens aéreas e de 1,8% do aluguel de veículos no segmento de transportes, 

Veja abaixo como o impacto da inflação foi menor na passagem de outubro para novembro, conforme cada faixa de renda, de acordo com a pesquisa divulgada pelo Ipea:

  • Renda muito baixa (menor que R$ 1.650,50): de 1,35% para 0,65%;

  • Renda baixa (entre R$ 1.650,50 a R$ 2.471,09): de 1,25% para 0,76%;

  • Renda média-baixa (entre R$ 2.471,09 e R$ 4.127,41): de 1,27% para 0,94%;  

  • Renda média (entre R$ 4.127,41 e R$ 8.254,83): de 1,19% para 1,10%; 

  • Renda média-alta (entre R$ 8.254,83 e R$ 16.509,66): de 1,10% para 1,08%;

  • Renda alta (acima de R$ 16.509,66): de 1,20% para 1,02%.

Pelos resultados da inflação de acordo com cada faixa de renda, pode-se perceber que, desta vez, as famílias de renda média, média-alta e alta foram as mais impactadas.

Ainda dá para perceber que, como a inflação geral em novembro medida pelo IPCA foi de 0,95%, as faixas de renda média, média-alta e alta tiveram uma alta dos preços acima da média geral. 

Já as faixas de renda muito baixa, baixa e média-baixa ficaram abaixo do IPCA do mês de novembro.

Inflação acumulada por faixa de renda em 12 meses

Um homem e uma mulher mexem em laptop sobre a mesa. Ele é branco, tem cabelos curtos pretos e barba por fazer e usa camiseta polo cinza. Ela é negra, tem cabelos cacheados presos e usa blusa laranja sem mangas. Sobre a mesa, há papéis e uma caneca. Ao fundo, uma janela com esquadrias de madeira

Quando analisamos um recorte mais amplo, que é a inflação acumulada em 12 meses, as famílias de renda alta são as que menos sofreram com a inflação (9,7%). 

Veja abaixo o impacto da inflação por faixa de renda em 12 meses: 

  • Renda muito baixa: 11,0%

  • Renda baixa: 10,9%

  • Renda média-baixa: 11,1%

  • Renda média: 10,8%

  • Renda média-alta : 10,1%

  • Renda alta: 9,7%.

O Ipea apontou que os dados acumulados nos últimos 12 meses começam a mostrar uma leve desaceleração da inflação para as faixas de renda mais baixa. 

Antes, essas famílias eram as mais impactadas pelo aumento dos preços no período acumulado de 12 meses. Agora, começa a haver um equilíbrio entre as altas para cada faixa de renda.

A inflação dos segmentos de maior renda seguem em trajetória de elevação. 

Para as classes de menor renda, explicam a inflação os reajustes acumulados em 12 meses da energia elétrica (31,9%) e do gás de botijão (38,9%), aliados à alta dos alimentos no domicílio (9,7%).

Enquanto isso, os aumentos dos combustíveis (52,8%), das passagens aéreas (36,6%) e dos serviços de recreação (8,6%) contribuíram fortemente para o aumento de preços nas faixas de renda mais alta.

Como a conta de luz tem sido uma dor de cabeça para muitas famílias, veja aqui algumas dicas para economizar. Veja ainda algumas dicas para economizar com gás, já que esse foi outro problema para boa parte dos brasileiros em outubro.