OPINIÃO: Por que perdemos o poder de compra? E como recuperar parte dele

Por Redacao PAN

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Se você fosse ao supermercado há dez anos com R$ 100 no bolso, seu carrinho de compras estaria muito mais cheio do que quando você vai às compras com o mesmo dinheiro nos dias atuais. Hoje, com esse valor, você certamente leva para casa poucos produtos da cesta básica. Mas você sabe por que isso acontece?

O motivo de isso acontecer é a inflação, que nada mais é do que o aumento dos preços dos produtos e serviços que impactam o nosso dia a dia, pois significa que perdemos o poder de compra da moeda.

Todo mundo está falando disso: basta ir ao açougue pedir 500 gramas de carne que já sentimos como os preços subiram e estão mudando o hábito de consumo de muita gente. 

Para ter uma ideia do aumento de preço, no acumulado do ano até julho, outro item importante, o combustível, já subiu mais de 27%. Isso sem falar no aumento dos preços da conta de luz e dos alimentos: sentimos facilmente esse salto dos valores quando vamos a um restaurante, à feira ou ao supermercado.

Diversos motivos podem explicar o aumento de preços. Para alguns produtos é a desvalorização do real diante de outra moeda estrangeira. Por exemplo: quando o valor do dólar sobe em relação ao real, todos os produtos que são importados em dólar passam automaticamente a ficar mais caros e consequentemente diminuem o poder de compra do consumidor. 

No caso da conta de luz, a quantidade de água disponível nas hidrelétricas é uma das variáveis que influenciam no aumento. 

Como a inflação é calculada?

Foto mostra notas de R$ 100 distribuídas e maços de R$ 50 cruzados por um gráfico branco

Ela é calculada por índices de inflação. O mais conhecido deles, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), é calculado e divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O governo federal usa o IPCA como o índice oficial de inflação do Brasil. Ele indica se, na média, os preços aumentaram, diminuíram ou permaneceram estáveis de um mês para o mês seguinte.

E, na sopa de letrinhas da economia, você precisa saber que o IPCA mede a inflação de um conjunto de produtos e serviços comercializados no varejo, referentes ao consumo pessoal das famílias. E é exatamente isso que vemos nas notícias que falam sobre o impacto da inflação no dia a dia da família brasileira.

E aqui outro ponto relevante: o IPCA faz parte de uma importante estratégia da política monetária no Brasil, que se compromete a manter a inflação dentro de uma faixa. E, para cumprir essa meta, o Banco Central usa a Selic, a taxa de juros da economia brasileira como instrumento. 

Quando os preços começam a subir, a taxa também sobe e taxas mais altas tendem a deixar o crédito mais caro e fazer com que o consumo e a nossa economia se desacelerem.

Na prática, se em um determinado período a inflação sobe 10%, quem tinha R$ 100 agora vai precisar de R$ 110 para comprar os mesmos produtos. Por isso, acompanhar a inflação é tão importante para todos. Ela tem impacto direto nas nossas vidas e no rendimento dos nossos investimentos.

Além do IPCA, outro índice para você olhar de perto é o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas, que engloba o movimento de preços de diferentes atividades e processo produtivo. 

Ele foi apelidado de índice do aluguel, por estar presente na maioria dos contratos de reajuste anual dos inquilinos.

E agora, como se proteger? 

Foto mostra homem fazendo uma espécie de telhado com as mãos sobre um porquinho azul que está sobre uma mesa

Diante desta difícil realidade, muitos brasileiros criam estratégias para driblar essa perda do seu poder de compra para conseguirem recuperar ao menos uma parte dele. E o caminho começa com educação financeira.

O primeiro passo é fazer um planejamento financeiro e analisar o orçamento mensal familiar. Com isso em mãos, é importante olhar oportunidades de economia dos gastos frequentes da família como assinaturas recorrentes, anuidades de cartões de crédito, renegociar planos de celular ou de academia, por exemplo, comparar preços nos estabelecimentos comerciais e avaliar a necessidade real do consumo antes de qualquer compra e a melhor forma de pagá-la.

Ao longo do ano, no entanto, é importante controlar e monitorar sempre os gastos e ter disciplina para registrar estas informações. Assim, fica mais fácil saber por onde o seu dinheiro costuma ir embora, muitas vezes em gastos supérfluos e por impulso. 

Fazer a gestão de dívidas também vai te ajudar para que sobre um pouco mais de dinheiro no final do mês. Uma boa pesquisa de mercado pode determinar se as taxas aplicadas estão muito altas e quais as alternativas para baratear sua dívida, às vezes com resultados muito bons. Isso tudo para evitar também que a gente caia na lista dos endividados.

Outra solução para aumentar o poder de compra de uma família é, sempre que possível, buscar por novas fontes de renda. 

O aumento da receita é o que de fato permite que os seus ganhos consigam superar ou ao menos igualar a alta da inflação e manter o seu poder de compra. Aqui vale desde um trabalho extra nas horas vagas até transformar aquele hobby de cozinhar ou costurar em renda. 

Planejamento financeiro

Homem de camisa azul sorri ao escrever em papeis sobre uma mesa. Há uma caneca branca sobre o móvel também 

Ter uma reserva de emergência também ajuda a manter o poder de compra em momentos de imprevistos e de muita instabilidade, como durante um período de desemprego, por exemplo. 

Para isso, no entanto, é preciso guardar uma quantia periodicamente, enquanto se está ativo no mercado de trabalho. Com um dinheiro guardado, você evita entrar no vermelho e ter dívidas que virem uma verdadeira bola de neve.

Como vimos, a palavra-chave aqui é planejamento. Calcule os gastos da família, veja o que consegue guardar de maneira recorrente para criar o hábito da poupança e olhe as oportunidades para começar a investir em uma aplicação segura e com liquidez, que proteja seus recursos da inflação e permita resgates a qualquer momento.   

Opções de diversificação não faltam, sempre de acordo com seus objetivos e perfil de risco. Você sabia que não precisa de muito dinheiro para começar a investir na bolsa? Acho que esse é um ótimo tema para nossa próxima conversa, não é mesmo?

A B3, a bolsa do Brasil, tem esse papel importante de estar ao lado de milhões de brasileiros falando sobre a importância da educação financeira como agente transformador em suas vidas. 

Fortalecendo a educação como ferramenta, vamos conseguir atrair novos investidores, expandir o conhecimento sobre o mercado brasileiro e ajudamos o Brasil a crescer.

E outra boa dica: no Hub de Educação da B3 você tem acesso a conteúdos gratuitos sobre finanças pessoais, conceitos iniciais sobre o mercado, como começar a investir e muito mais.

LinkedIn -  Christianne Bariquelli

 

 

 

*Esse artigo é de autoria da colunista Christianne Bariquelli e não reflete necessariamente a opinião do Banco PAN.