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ARTIGOS
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14.01.2022
PorRedacao | Millena PAN

Quando a internet começou a se popularizar, nos anos 1990, sua principal característica era a possibilidade de “navegar” livremente por diversos conteúdos e mídias. A chamada “internet 1.0”, que tinha esse nome porque era a primeira era da internet, foi marcada pelo que chamamos de hipertexto: conteúdos que nos conectavam a outros conteúdos (via links), sem limitações. Daí o nome “hiper”: um texto era, na verdade, uma multiplicidade de textos, imagens, vídeos etc., de acordo com a vontade do leitor.
Esse tempo ficou para trás. Hoje em dia, vivenciamos a “internet 2.0”, em que os conteúdos estão em ambientes fechados, como aplicativos e redes sociais, e cada vez menos se consegue clicar de um site para outro livremente.
O Instagram passou anos sem permitir qualquer link que levasse o usuário para fora de sua plataforma – daí o famoso “link na bio”.
Os aplicativos de troca de mensagens, desde o início deste século, funcionam como ambientes fechados, de forma que um usuário do antigo MSN não poderia enviar uma mensagem para um usuário do antigo ICQ. Ou, como ocorre hoje, um usuário do WhatsApp não consegue se comunicar com quem possui apenas o aplicativo Telegram.
Isso parece óbvio para quem começou a usar a internet nesta última década, mas o e-mail, por exemplo, é uma plataforma aberta, em que usuários do Gmail conseguem se comunicar com usuários do Hotmail sem nenhuma barreira.
Esse caminho de fechamento do nosso consumo de internet dentro de aplicativos exclusivos parece ser um caminho sem volta.

Em 2020, pouco antes do lançamento do PIX, o Banco Central vetou que o Facebook criasse um meio de pagamento no WhatsApp. A estratégia era, ainda que não de forma declarada, impedir que um concorrente “fechado” se tornasse popular antes do produto “aberto” do Banco Central.
O PIX, ao contrário do WhatsApp, permite que um usuário do banco X envie dinheiro para o banco Y, sem custo – e sem que as duas pessoas sejam clientes da mesma instituição.
Parece pouco, mas a solução do Facebook exigiria que os dois telefones estivessem no WhatsApp para que a transação ocorresse. Hoje em dia, é difícil imaginar quem não tenha esse aplicativo, mas não há garantia de que isso não mude algum dia.
Essa solução, que usufrui da ideia que prevalecia nos tempos da internet 1.0 – abertura e conectividade -, é um esforço contra a corrente.
Hoje em dia, o que vemos no Brasil é um processo de digitalização cada vez mais orientada para o uso de um único aplicativo. Para muitas pessoas que acessaram a internet mais recentemente – sejam moradores de áreas rurais, ou pessoas das classes D e E -, a internet se resume ao WhatsApp.
Ao contrário do que acontece entre o público mais escolarizado, que usa a conectividade para estudos, trabalho, leitura de jornais, compras etc., a base da pirâmide no Brasil vive uma “internet 3.0”: totalmente dependente de um único aplicativo, e com um uso limitado a conversas e interações.
Uma análise mais detalhada desse fenômeno aparece no livro “O Brasil mudou mais do que você pensa”, lançado pela Plano CDE em 2018.
Claro que há potencial econômico, haja visto o número de empreendedores que fazem contatos e vendas por WhatsApp. No entanto, um processo de inclusão digital deveria permitir que a população brasileira usufruísse de todo o potencial da conectividade, e não apenas de uma parte.
Para isso, não bastam antenas 3G, 4G ou 5G. É necessário também esforços de educação ou, como dizem os especialistas, “letramento digital”, que abram portas para uma formação plena pela via digital e evitem que o consumo de internet no Brasil se resuma a um único formato: para que estudantes aprendam a estudar online e para que empreendedores tenham ganhos ainda maiores.
LinkedIn: Breno Herman Mendes Barlach
Instagram: @planocde
* Esse artigo é de autoria do colunista Breno Barlach e não reflete necessariamente a opinião do Banco PAN.
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