No home office, produtividade sobe, mas bem-estar cai, mostra pesquisa

Estudo da Fundação Dom Cabral mostra que longas jornadas e falta de convívio social impactam o bem-estar de quem aderiu ao trabalho remoto

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Por Rodrigo Chiodi

Pouco mais de um ano depois do início do home office provocado pelas medidas de isolamento social, os brasileiros que o adotaram relatam aumento de produtividade no trabalho. Mas a sensação de bem-estar com essa modalidade remota caiu. 

As percepções estão em uma pesquisa da Fundação Dom Cabral. Das 1.075 pessoas de 23 estados que responderam ao questionário, 58,8% disseram que estão mais produtivas no trabalho remoto, ante 44,1% na edição anterior do estudo.

Vale ressaltar que essa primeira pesquisa foi realizada em abril de 2020, apenas duas semanas após a adoção das medidas de isolamento social. Além disso, apenas 20,4% de quem respondeu participou nas duas edições. 

Os pesquisadores dividiram a categoria em “mais produtivo” e “significativamente mais produtivo”. Considerando apenas o último tópico, a proporção de respostas quase dobra em 2021 (23,2% contra 12,4% no ano anterior). 

Entre os que relataram maior produtividade em home office, as mulheres foram maioria: 38% delas relataram ter um melhor desempenho ao trabalhar em casa, ante 33,9% dos homens.

Por nível hierárquico, 26,7% dos que ocupam cargos de gerência e liderança se consideram significativamente mais produtivos. Esse percentual cai para 15% entre CEOs, presidentes, sócios e diretores. 

Bem-estar de profissionais é desafio

Mulher sentada em frente a notebook e escrevendo em um caderno

Se a produtividade aumentou, o bem-estar dos profissionais entrevistados caiu com o home office, indicou a pesquisa, realizada em parceria com a Emlyon Business School, da França, e a empresa de auditoria Grant Thornton Brasil.

Mais horas de trabalho (24%), dificuldade de relacionamento com a equipe do trabalho (16%), dificuldade de comunicação (16%) e equilíbrio com demandas pessoais (14%) foram as principais dificuldades relatadas por quem participou da pesquisa.

Já os receios apontados com a continuidade do trabalho remoto são: 

  • Perda de convívio social (20,6%); 
  • Carga maior de trabalho, comparado ao modelo presencial (15,5%);
  • Piora de comportamento pela falta de convívio com colegas (13,5%) 
  • Resistência da gestão ao trabalho remoto (10,6%). 

Na avaliação dos pesquisadores, a maioria das pessoas que passaram a trabalhar em casa por causa da pandemia teme que a carga elevada de trabalho e a perda de convívio social cause ainda mais dificuldades para equilibrar a vida pessoal e profissional no futuro. 

Além disso, 29% das pessoas que participaram da pesquisa “concordam totalmente” com a afirmação de que estão mais cansadas atualmente do que em 2020, e 25,6% concordam parcialmente. As mulheres também são maioria nesse quesito.

“A maior produtividade não será sustentável sem apoio para a reorganização do tempo e do espaço em termos daquilo que se refere à vida profissional e pessoal. Os resultados desta nova pesquisa, mostram que não podemos nos deixar seduzir pela alta produtividade. Faz-se necessários ajustes nos três níveis: organização, equipes e indivíduos”, concluíram os pesquisadores.

Perfil de quem respondeu à pesquisa

Foto mostra homem de máscara segurando grades em janela e olhando para fora

A pesquisa foi realizada entre os dias 15 e 29 de março de 2021, por meio de um questionário online. Havia questões fechadas, em que o estudo apresentava opções, e abertas, em que era possível a pessoa escrever suas impressões.

As principais características de quem participou da pesquisa são: 

  • Região: a maioria está localizada em São Paulo (48,3%) e Minas Gerais (16,8%); 
  • Faixa etária: a idade média dos respondentes é de 44 anos. 53,7% têm entre 40 e 58 anos; 
  • Atividade profissional: 30% dos entrevistados trabalham nos segmentos financeiro, construção civil e educação e 17% dividem-se em consultoria, serviços jurídicos, contabilidade, auditoria e mineração. 
  • Porte de empresas: 75,9% trabalham em grandes e médias companhias e 24,1%, em micro e pequenas empresas;

Cargo ocupado: 68% são gerentes e líderes, o restante divide-se em diretor (17%), sócio / acionista (8%) e CEO (6%).