O que você vai ler neste artigo:

Muita gente já se perguntou como é possível acelerar os planos para realizar objetivos e metas pessoais. Uma possibilidade é usar recursos para fazer o patrimônio crescer por meio do mercado financeiro.

Nesse contexto, existem aqueles que buscam fazer um empréstimo para investir. Para saber se a estratégia é viável, você deve entender os riscos envolvidos. Certas modalidades de crédito, como o empréstimo consignado, estão disponíveis no mercado, mas exigem fazer uma análise criteriosa.

Neste artigo, você verá se usar o empréstimo consignado para investir é a melhor saída e o que considerar antes de tomar essa decisão. Continue lendo.

Quando faz sentido usar o empréstimo consignado para investir?

Na maioria dos casos, utilizar o consignado para fazer investimentos tende a não compensar financeiramente. Existe o risco de comprometer a renda mensal para sustentar aplicações financeiras – e essa nem sempre é a escolha ideal.

Saiba mais.

Relação entre o custo do crédito e a rentabilidade dos investimentos

Uma medida que faz sentido na hora de decidir se vale fazer um empréstimo consignado é calcular o seu CET (Custo Efetivo Total).

Esse indicador mostra quanto o empréstimo realmente custa para o consumidor. Além da taxa de juros, ele inclui tarifas, impostos – como o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) –, seguros e outros encargos cobrados na operação.

A rentabilidade líquida do investimento – o ganho depois de descontar os custos da aplicação – precisa superar, normalmente com folga, o CET do consignado. Contudo, em muitos casos, os juros do empréstimo já ultrapassam o retorno dos investimentos conservadores.

O Imposto de Renda também pode corroer parte dos ganhos. Muitas aplicações em renda fixa, por exemplo, sofrem tributação regressiva conforme o tempo de permanência. Isso significa que o investidor entrega uma fatia do lucro ao Fisco.

Por outro lado, a inflação reduz o poder de compra do dinheiro ao longo do tempo. Dependendo do investimento, o resultado gera perda de patrimônio.

Essa dinâmica cria o que se chama de alavancagem negativa – o dinheiro emprestado custa mais do que consegue render.

Riscos de assumir uma dívida para buscar retorno financeiro

O empréstimo consignado funciona com o comprometimento automático dos recursos. As parcelas são descontadas diretamente do salário ou do benefício do INSS.

Se as aplicações nas quais a pessoa investiu apresentarem resultados ruins, o desconto continuará acontecendo todo mês, reduzindo a renda disponível.

Existe também o risco de mercado. Investir em ações, por exemplo, não oferece garantia de retorno. Se elas se desvalorizarem, o investidor ficará com dois problemas: o prejuízo da operação e a obrigação de continuar pagando as parcelas e os juros do consignado.

Leia: Como investir dinheiro em 6 passos simples

Situações em que essa estratégia tende a não ser vantajosa

Quem não tem uma reserva de emergência, por exemplo, pode enfrentar problemas ao utilizar um consignado para investir. Contrair uma dívida tende a colocar em risco a flexibilidade financeira nesse caso.

Outro erro é usar o empréstimo para fazer aplicações financeiras enquanto existem dívidas mais caras pendentes, como rotativo do cartão de crédito ou cheque especial. O ideal seria começar quitando os débitos que cobram juros maiores.

O que considerar antes de utilizar consignado para fazer investimento?

Antes de pensar em transformar crédito em investimento, é necessário avaliar sua capacidade real de pagamento, traçar objetivos e compreender os efeitos nas suas finanças mensais.

Confira os detalhes.

Planejamento financeiro e capacidade de pagamento

Para saber como fazer o planejamento financeiro, um método prático é mapear o orçamento e aplicar a regra 50-30-20 como referência. Nessa divisão, 50% da renda são destinados a gastos essenciais, como moradia, alimentação, saúde, transporte e energia.

Outros 30% ficam para despesas variáveis, como lazer, viagens, restaurantes e assinaturas. Já os 20% restantes são voltados a objetivos financeiros, como quitar dívidas, formar uma reserva de emergência ou investir.

Essa distribuição pode ser adaptada à realidade financeira de cada pessoa, já que as prioridades e os compromissos variam ao longo da vida. Com esse parâmetro, fica mais fácil identificar quanto sobra no fim do mês e avaliar se assumir as parcelas do consignado comprometeria o equilíbrio das finanças pessoais.

Objetivos

Antes de assinar um contrato ou investir dinheiro, é interessante seguir um processo estratégico. Definir objetivos normalmente pressupõe ter em mente três questões: o propósito, o valor e o prazo.

Veja alguns exemplos:

●        Propósito: o recurso será usado para atender a uma necessidade real ou apenas para agir por impulso?

●        Valor: preciso contratar todo esse valor ou existe uma alternativa que exija menos endividamento?

●        Prazo: o prazo é compatível com o período em que ficarei pagando as parcelas do consignado?

Outro ponto relevante é traçar metas realistas, como “Quero juntar R$ 30 mil em 3 anos para abrir um negócio” ou “Preciso de R$ 10 mil em 1 ano para reformar a casa”. Assim, fica mais simples decidir se o consignado é o caminho certo ou se existem alternativas mais adequadas.

Aprofunde o conhecimento: Saiba como calcular a margem consignável

Impacto no orçamento e margem consignável

Para avaliar os efeitos do consignado nas finanças, consulte a margem consignável disponível - esse é o percentual máximo da renda que pode ser comprometido com empréstimos. Afinal, esse tipo de crédito reduz o recebimento mensal.

Se o limite for de 35%, por exemplo, e a pessoa o atingir, essa fatia do que ela recebe já é retirada automaticamente para pagar a parcela. Se não houver folga no orçamento, a capacidade de lidar com gastos extras ou imprevistos fica mais comprometida.

Além disso, quem contrata o consignado para trabalhadores CLT deve considerar que uma eventual demissão possivelmente afetará o pagamento da dívida.

Para aposentados e pensionistas, embora o benefício ofereça maior previsibilidade de renda, mudanças em regras previdenciárias ou revisões de valores podem impactar o orçamento.

Neste conteúdo, você viu que usar um empréstimo para investir exige uma análise cuidadosa da relação entre o custo do crédito, a rentabilidade esperada e a capacidade de pagamento. Agora você tem mais clareza para avaliar se a decisão faz sentido para a sua realidade.

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