95% de trabalhadoras domésticas perderam renda na pandemia, diz pesquisa

Levantamento em São Paulo mostra que 88% das diaristas e profissionais domésticas entrevistadas perderam algum posto de trabalho

Controle
Seus Gastos
Por Rodrigo Chiodi

Além de cuidar da saúde por causa da Covid-19, o momento que vivemos também trouxe preocupações em relação à perda de renda na pandemia. Uma pesquisa realizada com diaristas e trabalhadoras do lar que moram em Heliópolis, na capital paulista, mostra como esse grupo foi um dos mais afetados quando falamos em queda nos rendimentos mensais.

De acordo com a pesquisa:

  • 95% das diaristas e trabalhadoras do lar viram a sua renda mensal diminuir durante a pandemia;

  • 88% perderam algum posto de trabalho nesse período;

  • 52% dizem que, agora, não possuem mais renda;

  • 31% contam que viram a renda diminuir bastante, mas ainda possuem alguma forma de obter dinheiro.

Entre as pesquisadas, a maioria (71%) era de mulheres negras. A idade de 86% delas era entre 31 e 59 anos. 97% eram mães, sendo que 53% tinham 3 filhos ou mais. Por fim, 50% eram mães solo, ou seja, não contavam com a ajuda de outras pessoas para o cuidado com os filhos.

Antes da pandemia, 47% das pesquisadas trabalhavam em apenas uma casa, enquanto 38% atuavam entre 2 e 3 casas. Mais da metade (55%) ganhava até 1 salário mínimo. Por fim, 93% delas tinham o ofício de trabalhadora doméstica como fonte principal de renda.

O estudo ouviu 58 mulheres entre dezembro de 2020 e março de 2021 e foi publicado pelo observatório “De Olho na Quebrada” e pela Unas (União de Núcleos, Associações dos Moradores de Heliópolis e Região), em parceria com a fundação Open Society e a ONG (Organização Não Governamental) Action Aid.

Auxílio emergencial ajudou no orçamento

Pessoa com luvas faz limpeza em um móvel com um borrifador

Algumas trabalhadoras do lar e diaristas afirmaram que participaram do estudo que o auxílio emergencial foi importante para ajudar na composição de renda. Porém, a interrupção do benefício trouxe preocupações sobre mais uma queda de renda na pandemia.

“Recebi o auxílio por 6 meses e ajudou bastante para pagar o aluguel. Agora, está fazendo muita falta”, disse Maria Correia de Andrade, uma das participantes da pesquisa. “O auxílio emergencial foi muito bom para mim. Fui mandada embora, meu marido estava doente e ficou 2 meses internado”, relatou Teresinha Francisca Tavares, que também fez parte do estudo.

Como complementar renda na pandemia

Além do auxílio emergencial, foram implantadas medidas como a antecipação do 13º salário de aposentados e pensionistas. Porém, esse benefício não está disponível para todas as pessoas e pode não ser suficiente para pagar todas as contas do mês.

Por isso, é importante pensar em fontes alternativas de ganhos. Descubra como conseguir uma grana extra durante a quarentena.