Em 2020, brasileiro poupou mais para fazer reserva de emergência do que para casa própria

Dado está em pesquisa de associação de investidores; classe C liderou mudança de planos

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Por Redacao PAN

 

Fazer uma reserva de emergência passou a ser o principal destino das economias dos brasileiros em 2020, no lugar do “sonho da casa própria”. A mudança foi puxada, principalmente, pela classe C. 

A constatação é da pesquisa “Raio X do Investidor”, feita pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) junto com o Datafolha.

O estudo é realizado há 4 anos. Nas pesquisas anteriores, a compra de um imóvel ou terreno sempre liderou com larga vantagem quando os entrevistados eram perguntados sobre o destino de suas aplicações financeiras. 

No entanto, a intenção de ter uma casa própria caiu de 35% em 2019 para 26% em 2020. Já a intenção de formar uma reserva de emergência subiu de 17% em 2019 para 27% em 2020. 

Veja abaixo como ficou a intenção de comprar uma casa própria, de acordo com cada classe social.

  • Na classe C, a intenção de comprar a casa própria caiu de 38,6% para 26,7%. 

  • Na classe B, eram 30% os que queriam comprar casa em 2019 e 26,2% em 2020. 

  • Na classe A, o percentual passou de 25,5% em 2019, para 23,1% em 2020.

Mudança de interesses ocorre num momento de pandemia

 Foto mostra várias pessoas de máscara caminhando em uma calçada; em 1º plano, um homem de boné azul, máscara preta, camiseta cinza e calça jeans com uma sacola de plástico branca, uma mulher de camiseta cinza e calça azul marinho com uma sacola rosa e uma mulher de camiseta preta e calça jeans com uma sacola branca

 

O estudo da Anbima reforça o que já mostraram outras pesquisas: foram os brasileiros das classes mais baixas que sentiram mais o impacto da pandemia, por isso puxaram a mudança no objetivo de fazer economias. 

A mudança geral de interesses ocorreu num momento de restrições por causa da pandemia. Muitos brasileiros perderam o emprego ou tiveram redução de salários. Outros não chegaram a ter prejuízos, mas optaram por guardar dinheiro com outros objetivos.

O estudo mostra, por exemplo, que o impacto da pandemia e do distanciamento social foi tão significativo a ponto de 7% dos brasileiros (cerca de 2,5 milhões de pessoas) afirmarem que guardaram dinheiro porque “não tinham onde gastar”.

De acordo com a Anbima, a redução dos gastos com viagens, festas, idas a bares e restaurantes favoreceu a formação de uma poupança involuntária para 56% da população brasileira que conseguiu guardar algum dinheiro no ano passado. Esta foi a principal fonte de economia.

Em 2019, quando não havia pandemia, apenas 34% das pessoas que economizaram apontaram a redução desses gastos como origem dos recursos poupados. 

Isso significa que, enquanto em 2019 em torno de 12 milhões de brasileiros disseram economizar em razão de corte de gastos, em 2020 o total saltou para mais de 20 milhões de pessoas.

A segunda maior fonte de economia em 2020 foi não realizar compras apontadas como “desnecessárias”: foi o motivo que levou 24% das pessoas a conseguirem guardar algum dinheiro. 

A pesquisa foi feita entre 17 de novembro e 17 de dezembro de 2020. Foram ouvidas 3,4 mil pessoas da população economicamente ativa das classes A, B e C em todas as regiões do país. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%.