Cesta básica custa até 65% do salário mínimo, diz pesquisa

Café, açúcar e batata ajudaram a puxar alta dos preços, de acordo com estudo mensal do Dieese

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Por Redacao PAN

 

Um trabalhador que ganhe o salário mínimo pode ter que usar até 65% de seus vencimentos para adquirir uma cesta básica, de acordo com os valores pesquisados pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) em agosto.

 

O salário mínimo do país é de R$ 1.100. Mas o valor líquido recebido é menor, pois há o desconto de 7,5% da Previdência Social. Assim, quem ganha o piso nacional tem disponíveis R$ 1.017,50 por mês.

E, segundo o levantamento do Dieese feito em agosto e divulgado nesta quarta-feira (8), a cesta básica mais cara do país estava em Porto Alegre: R$ 664,67, ou 65,32% da quantia que os trabalhadores que ganham o mínimo realmente recebem.

O Dieese faz mensalmente uma pesquisa de preços de um conjunto de produtos alimentícios considerados essenciais, que compõem a cesta básica, em 17 capitais brasileiras. Essa última pesquisa tem dados que se referem ao mês de agosto.

Pela pesquisa divulgada nesta quarta-feira sobre a cesta básica, a cidade onde a cesta é mais barata, Aracaju (R$ 456,40), consome 44,86% do valor do salário mínimo.

Veja abaixo quanto custa a cesta básica em cada uma das capitais e a fatia consumida do valor líquido do salário mínimo em cada uma delas, de acordo com a pesquisa do Dieese:

  • Porto Alegre: R$ 664,67 (65,32%)
  • Florianópolis 659,00 (64,77)
  • São Paulo: R$ 650,50 (63,93)
  • Rio de Janeiro: R$ 634,18 (62,33)
  • Vitória: R$ 618,96 (60,83%)
  • Campo Grande: R$ 609,33 (59,89%)
  • Curitiba: R$ 600,47 (59,01%)
  • Brasília: R$ 594,59 (58,44%)
  • Goiânia: R$ 565,40 (55,57%)
  • Belo Horizonte: R$ 562,95 (55,33%)
  • Fortaleza: R$ 552,24 (54,27%)
  • Belém: R$ 530,13 (52,10%)
  • Natal: R$ 508,04 (49,93%)
  • Recife: R$ 491,46 (48,30%)
  • João Pessoa: R$ 490,93 (48,25%)
  • Salvador: R$ 485,44 (47,71%)Aracaju: R$ 456,40 (44,86%)

Cesta básica aumenta em 13 cidades

Um homem com um carrinho de compras analisa produtos na prateleira de um supermercado

O Dieese informou que o custo médio da cesta básica em agosto aumentou em 13 cidades na comparação com mês anterior (julho). Em outras 4 cidades pesquisadas, o valor diminuiu.

As maiores altas foram registradas em Campo Grande (3,48%), Belo Horizonte (2,45%) e Brasília (2,10%). O custo caiu em Aracaju (-6,56%), Curitiba (-3,12%), Fortaleza (-1,88%) e João Pessoa (-0,28%).

Ao comparar agosto de 2021 com o mesmo mês do ano passado, por outro lado, o preço do conjunto de alimentos que compõem a cesta básica subiu em todas as capitais que fazem parte do levantamento. Em Brasília, onde houve a maior alta, el subiu 34,13%. Em Recife, 11,90%.

Vilões da cesta básica: café, açúcar e batata

 Imagem foca nas mãos de uma mulher usando uma colher para mexer numa xícara com uma bebida quente em seu interior, pois sai fumaça do objeto, dando a entender que está preenchida com café em seu interior

O café, o açúcar e a batata foram alguns dos principais vilões para o aumento do preço da cesta básica em diversas capitais.

O quilo do café em pó subiu nas 17 capitais em que o Dieese faz a pesquisa, com altas variando de 0,71% em Recife, a 24,78% em Vitória. O motivo, segundo o órgão, foi que os produtores retiveram o grão à espera de melhores preços, porque há expectativa de menor oferta no futuro devido às geadas do final de julho.

O açúcar, por sua vez, aumentou em 16 capitais, sendo que os maiores aumentos foram em Florianópolis (10,54%) e Curitiba (9,03%). O clima seco e a geada no Sudeste, de acordo com o Dieese, diminuíram a oferta do produto.

Por fim, a batata, que teve os preços pesquisados em 10  capitais, subiu em 9. As maiores altas ocorreram em Brasília (39,64%), Rio de Janeiro (36,36%) e Belo Horizonte (33,09%).

Da mesma maneira que os outros itens, o clima reduziu o ritmo da colheita e, assim, a oferta desse tubérculo ficou menor.

Diante dessas altas nos preços, confira maneiras para economizar com comida na pandemia.