Preço da cesta básica subiu em 10 capitais no 1º semestre

No mês de junho, valor da cesta básica caiu em 9 capitais onde o Dieese faz a pesquisa

Controle
Seus Gastos
Por Redacao PAN

O valor da cesta básica ficou mais caro em 10 capitais no 1º semestre deste ano, de acordo com a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos (PNCBA), divulgada nesta terça-feira (6) pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

A menor alta foi em Fortaleza (CE), de 1,24%. Já a maior foi em Curitiba (PR), cujos preços subiram 14,47% no acumulado de 6 meses. Veja qual foi a alta em todas as cidades em que o preço do conjunto de produtos pesquisados pelo Dieese: 

  • Curitiba: 14,47%
  • Natal: 9,03%
  • Florianópolis: 4,84%
  • João Pessoa: 4,33%
  • Porto Alegre: 4,33%
  • Aracaju: 3,93%
  • Belém: 3,52%
  • Recife: 3,10%
  • Vitória: 1,83%
  • Fortaleza: 1,24%

Por outro lado, em 7 capitais a cesta básica ficou teve redução no valor no acumulado deste ano, segundo o órgão. As variações do preço nessas cidades foram:

  • Belo Horizonte: -6,42%
  • Salvador: -2,46%
  • Goiânia: -2,18%
  • Campo Grande: -1,68%
  • Brasília: -1,15%
  • São Paulo: -0,74%
  • Rio de Janeiro: -0,30%

O Dieese pesquisa de maneira contínua os preços de um conjunto de produtos alimentícios, de limpeza e higiene considerados essenciais em 17 capitais do país. Por isso, é possível saber o resultado acumulado do semestre. Mas também é possível comparar os dados do último mês com o mês anterior. 

Na comparação de junho com o mês de maio, houve redução do valor da cesta básica em 9 capitais e aumento em 8 cidades. 

As maiores altas foram em Fortaleza (1,77%), Curitiba (1,59%) e Florianópolis (1,42%). Já as capitais com quedas mais fortes foram Goiânia (-2,23%), São Paulo (-1,51%), Belo Horizonte (-1,49%) e Campo Grande (-1,43%). 

O Dieese mostrou que a cesta básica mais cara foi a de Florianópolis (R$ 645,38). Depois, vêm Porto Alegre (R$ 642,31), São Paulo (R$ 626,76), Rio de Janeiro (R$ 619,24) e Curitiba (R$ 618,57). 

Produtos que ficaram mais caros

Imagem foca na mão de uma pessoa escolhendo carne bovina num supermercado 

Na comparação entre maio e junho, os produtos que subiram em mais cidades na pesquisa do Dieese foram o leite, o açúcar, a carne bovina de primeira, o óleo de soja e a manteiga. 

A baixa da produção foi o motivo apontado pelo órgão para a alta do litro de leite integral em 16 cidades pesquisadas. Isso levou também ao aumento do preço do quilo da manteiga, observado em 12 capitais. 

O preço do açúcar teve aumento em 15 das 17 capitais onde o Dieese realiza a pesquisa mensal. A alta foi motivada, além da produção mais baixa, pelo “bom desempenho nas exportações desse produto”. As taxas oscilaram de 1,75%, em Vitória, a 15,41%, em Natal.  

Um produto que vem subindo há meses teve destaque em junho também: a carne bovina de primeira. Ela subiu em 14 cidades, por causa da alta demanda da China, dos altos custos de produção e da oferta reduzida de animal para abate.  

Por fim, o óleo de soja foi outro que teve preço maior constatado em 14 cidades. E essa alta aconteceu apesar do recuo dos preços da soja (por causa da desvalorização do dólar e da menor demanda de óleo para produção de biocombustível. 

Batata e banana puxam queda

Imagem mostra produtos que integram a base de itens pesquisados pelo Dieese, como batata, banana, pão e arroz 

Em outra direção, o Dieese apontou que os preços de batata, banana e arroz apresentaram redução e colaboraram para a diminuição do valor da cesta básica em 9  das 17 capitais pesquisadas em junho. 

O quilo da batata, por exemplo, caiu em 9 das 10 cidades do Centro-Sul, por causa do aumento da produção e da queda do consumo. O percentual de queda chegou a  -30,91%, em Vitória e a -12,83%, em Florianópolis. 

Das 17 capitais, o preço da banana (prata e nanica) caiu em 14. A maior oferta de banana prata foi a explicação para a redução, segundo o Dieese. A maior queda foi constatada em Belo Horizonte, onde o preço caiu -13,24% em junho. 

Da pesquisa, surge outra boa notícia para o bolso: o quilo do arroz caiu em 12 capitais. O motivo, segundo o Dieese, foi a demanda interna enfraquecida. As reduções mais expressivas aconteceram em Vitória (-2,97%), Porto Alegre (-2,81%), São Paulo (-1,83%) e Florianópolis (-1,70%). 

O que é a pesquisa da cesta básica do Dieese

Imagem mostra a mão de uma pessoa segurando uma caneta e fazendo anotações numa planilha, que está desfocada 

A Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos (PNCBA) é um levantamento contínuo dos preços de um conjunto de produtos alimentícios considerados essenciais.

A PNCBA foi implantada em São Paulo em 1959, a partir dos preços coletados para o cálculo do Índice de Custo de Vida (ICV) e, ao longo dos anos, foi ampliada para outras capitais. 

Hoje, o levantamento é feito em 17 unidades da Federação. Permite a comparação de custos dos principais alimentos básicos consumidos pelos brasileiros. 

Os itens básicos pesquisados foram definidos pelo decreto lei nº 399, de 30 de abril de 1938, que regulamentou o salário mínimo no Brasil e está vigente até hoje. 

O decreto determinou que a cesta de alimentos fosse composta por 13 produtos em quantidades suficientes para garantir o sustento e bem-estar de um trabalhador adulto por 1 mês. Bens e quantidades foram diferenciados por região, conforme os hábitos alimentares locais.