Como parcelar a fatura do cartão de crédito? Vale a pena?

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Dívida
Por Redacao PAN

Os consumidores contam hoje com diferentes formas de pagamento. Os mais comuns são dinheiro em espécie, cartão de crédito e de débito, débito automático, transferência bancária e também o mais recente do mercado financeiro, o PIX.

Dentre esses, o cartão de crédito é o queridinho dos brasileiros. De acordo com o Banco Central, no ano de 2019 houve um aumento de 18% no uso desse serviço, o que representa mais de 123 milhões de cartões de crédito em circulação no país.

No entanto, as taxas de juros cobradas sobre as faturas do cartão de crédito são uma das maiores do mercado financeiro. Ao deixar de pagar o total da fatura atual, o valor da próxima fatura aumenta e a situação pode virar uma verdadeira bola de neve.

Quando falta dinheiro no fim do mês e sobram boletos para pagar, parcelar a fatura do cartão de crédito pode ser uma opção tentadora, mas será que vale a pena?

Principais opções de pagamento da fatura

No Brasil, usuários do serviço de cartão de crédito contam com três principais opções de pagamento da fatura: à vista, crédito rotativo ou parcelado.

À vista

Pagar à vista significa pagar o valor total da sua fatura antes da data de vencimento — ou no dia em que ela vence. Usuários de cartão de crédito que pagam a fatura à vista aumentam a pontuação do Score e têm baixo risco de inadimplência.

Como explicamos neste post, Score é uma pontuação ligada ao CPF de cada consumidor. Ele é definido por uma escala que vai de 0 a 1.000 pontos e indica o seu perfil financeiro. Pontuações altas revelam o quão bom pagador você é.

Pessoas com Score alto mostram para as instituições financeiras que têm controle sobre suas economias e, assim, conseguem tranquilamente abrir contas em bancos e lojas, aprovação de créditos e empréstimos ou compra de casas e carros.

Crédito rotativo

Na modalidade de crédito rotativo o consumidor precisa pagar pelo menos o valor mínimo da fatura antes do vencimento. O que ficou em aberto, chamado de valor rotativado, será cobrado com juros e IOF na próxima fatura.

Essa opção cobra uma das taxas de juros mais altas do mercado. Para se ter uma ideia, a taxa de juros do crédito rotativo subiu pelo quarto mês consecutivo em janeiro de 2021 e atingiu 329% ao ano, o que representa um aumento de 12,8 pontos percentuais em um ano.

Em abril de 2017 o Banco Central implementou novas regras e desde então só é possível solicitar o crédito rotativo uma vez a cada 30 dias.

Já em abril de 2018, o Conselho Monetário Nacional (CMN) mudou uma das resoluções do mercado financeiro e desde então cada banco define a própria porcentagem mínima de pagamento da fatura. Antes, o valor mínimo era de 15% para todas as instituições financeiras.

Parcelado

Os bancos também oferecem aos usuários a opção de parcelamento da fatura, modalidade que permite dividir o valor total ou parcial em parcelas fixas acrescidas de juros e IOF.

Nesse caso, é possível escolher entre parcelar toda a fatura ou pagar uma parte antes da data de vencimento e parcelar o restante.

Vale lembrar que cada banco define a sua própria taxa de juros e também o número de parcelas. Além disso, não é possível solicitar o parcelamento da fatura antes que ela esteja fechada.

Muitos bancos já oferecem a opção de calcular e solicitar o parcelamento da fatura diretamente no aplicativo do celular. Se preferir, você também pode ir até o banco e negociar pessoalmente o parcelamento da sua fatura.

Crédito Rotativo e Parcelado na prática

Para começar, é importante ressaltar que cada banco define a própria taxa de juros para o crédito rotativo e também para o parcelamento da fatura. Essas informações aparecem tanto no boleto, quanto no aplicativo do banco.

Em uma hipótese sugerida pela jornalista Nathalia Arcuri, autora do livro Me Poupe!, um determinado banco cobra 11,32% de juros sobre o crédito rotativo, 7,2% ao mês sobre a fatura parcelada e 0,38% e 0.0082% de IOF mensal e diário, respectivamente.

Vamos supor que a fatura do cartão de crédito deste mês fechou em R$ 2.500 e o consumidor decidiu pagar o valor mínimo de 15% e solicitar o crédito rotativo.

Nesse caso, o consumidor vai pagar R$ 375 e o valor rotativado será de R$ 2.125. Sobre o valor rotativado, vão ser somados ainda os juros e IOF mensal e diário.

 

Valor rotativado

R$ 2.125

Juros (11,32%)

R$ 240,55

IOF mensal (0,38%)

R$ 8,07

IOF diário (0.0082%)

R$ 5,22

Total do rotativado na próxima fatura

R$ 2.378,84

 

Em outra hipótese, o consumidor decidiu parcelar totalmente essa mesma conta de R$ 2.500 em 12 vezes. A esse valor, também são somados os juros e IOF mensal e diário.

 

Valor inicial

R$ 2.500

Juros (7,2% a.m)

R$ 1.129,64

IOF mensal (0,38%) x 12

R$ 114

IOF diário (0.0082%) x 12

R$ 73,80

Valor total

R$ 3.817,44

Valor de cada uma das 12 parcelas

R$ 318,12

 

 

Como você pode perceber, ao parcelar totalmente a fatura do cartão de crédito o consumidor vai pagar aproximadamente R$ 1.317,44 somente de juros e IOF.

Muitas vezes o valor das parcelas fixas cabe no seu orçamento, enquanto o valor total do rotativado excede o limite das suas economias.

Se em algum momento as contas não fecharem no fim do mês e você perceber que não vai conseguir pagar a conta do cartão de crédito à vista até a data de vencimento, analise com cuidado qual é a melhor opção de negócio para o seu caso específico.

Dicas para evitar dívidas no cartão de crédito

  1. Uma dica para controlar os gastos do cartão de crédito, conseguir pagar a fatura em dia e diminuir o limite de crédito liberado da sua conta. Algumas instituições financeiras já permitem alterar o limite de crédito pelo aplicativo do celular.

  2. Outra dica é escolher a melhor data de vencimento da fatura. Escolha uma data próxima ao recebimento do salário, assim você paga a conta do cartão de crédito assim que recebe e não gasta todo o dinheiro até a data de vencimento do boleto.

  3. Por fim, cabe pontuar que algumas linhas de crédito, como empréstimos consignado e pessoal, contam com juros menores que o do cartão de crédito. Nesse caso, vale solicitar um empréstimo antes da data de vencimento para pagar a fatura à vista.