IPCA sobe 0,47% em maio e 11,73% em 12 meses

Maior influência sobre o índice de inflação oficial do país em maio foi do grupo de vestuário, diz IBGE

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Por Rodrigo Chiodi

*Texto atualizado em 24.06.2022

O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que é considerado a inflação oficial do Brasil, ficou em 0,47% em maio de 2022. Foi uma redução do índice em relação às variações observadas anteriormente.  

O resultado foi divulgado nesta quinta-feira (9) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em maio de 2021, o índice ficou em 0,83%.

A variação do IPCA nos 12 meses terminados em maio de 2022 foi de 11,73%, o que representa uma redução em comparação à taxa do final de abril (12,13%). 

No mês de maio de 2022, de acordo com o IBGE, o grupo que mais impactou na alta de preços foi o de transportes (1,34% de alta). Já a maior variação foi do setor de vestuário, que subiu 2,11%. 

Mesmo com a alteração dos preços dos itens de vestuário sendo maior que transportes, é este último que tem mais impacto no índice, porque o peso dele é maior na composição do IPCA.

O resultado do grupo vestuário foi influenciado principalmente pela alta nos preços de roupas masculinas (2,65%), femininas (2,18%) e infantis (2,14%). O itens calçados e acessórios (2,06%) também pesaram no resultado do mês.

Já no grupo de transportes, a maior contribuição veio das passagens aéreas (18,33%), que já haviam subido em abril (9,48%). 

Desta vez, os combustíveis (alta de 1,00%) não pesaram tanto na inflação. No mês anterior, a alta foi de 3,2%. Portanto, houve desaceleração.

A gasolina, por exemplo, que tinha subido 2,48% em abril, aumentou 0,92% em maio. Já o etanol, que teve alta de 8,44% em abril, caiu -0,43% de preço em maio.

Vale ainda ressaltar a desaceleração do segmento de alimentação e bebidas. Subiu 0,48% de preço, bem abaixo dos 2,59% verificados no mês anterior. 

Veja a variação de alguns itens: 

tomate: -23,72%

batata-inglesa: -3,94%

cenoura: -24,07% (embora a variação desse alimento em 12 meses ainda seja de 116,37%)

Por outro lado, o leite longa vida aumentou 4,65% e já acumula 28,03% de alta no ano. Além disso, a cebola subiu 21,36% de preço em maio.

Veja abaixo a evolução mensal do IPCA nos últimos meses:

 

 

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O que é IPCA e por que é importante

O IPCA é um dos índices de preços calculados mensalmente pelo IBGE para medir a variação de preços de uma cesta de produtos e serviços.

O IPCA é divulgado mensalmente junto com o INPC, o  Índice Nacional de Preços ao Consumidor. Os resultados de ambos mostram se os preços aumentaram ou diminuíram de um mês para outro.  

Enquanto o INPC acompanha a variação do custo de vida médio de famílias com renda mensal de 1 a 5 salários mínimos, o IPCA engloba uma parcela maior da população, avaliando o custo de vida médio de famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos.

O IPCA é usado pelo governo federal como índice oficial de inflação do Brasil. Ele serve de referência para a meta de inflação e para as alterações na taxa de juros básica do país, a Selic.

A variação do IPCA ajuda a saber se você consegue comprar os mesmos itens com seu salário. O IBGE facilita as contas. Com a calculadora de IPCA, você pode calcular o aumento dos preços dos produtos e serviços que desejar ou estimar quanto seria o seu salário reajustado pelo índice. 

Homem sentado visto de cima com vários boletos à sua frente, uma calculadora sobre eles e um notebook mais à frente

Como o IPCA é calculado

Desde 1980, o índice é produzido e divulgado pelo IBGE. Todos os meses, o instituto faz um levantamento de cerca de 430 mil preços, em 13 áreas urbanas do Brasil.

Os preços são coletados por técnicos especializados em 30 mil estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços, concessionária de serviços públicos. Desde 2020, o IBGE também passou a contar com robôs virtuais para coleta de preços em páginas na internet.

O período de pesquisa de preços, em geral, vai do dia 1º ao dia 30 do mês de referência, com pequenas variações que são divulgadas previamente pelo instituto

Todos esses preços levantados são comparados aos valores coletados no mês anterior. Com esses dados, o IBGE calcula o índice, que reflete a variação nos itens consumidos pela população.  

O levantamento é realizado apenas nas regiões metropolitanas de Belém (PA), Fortaleza (CE), Recife (PE), Salvador (BA), Belo Horizonte (MG), Vitória (ES), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Curitiba (PR), Porto Alegre (RS), além do Distrito Federal (DF) e dos municípios de Goiânia (GO), Campo Grande (MS), Rio Branco (AC), São Luís (MA) e Aracaju (SE).

Quais itens compõem o índice 

Os grupos de produtos e serviços que compõem o IPCA são:

  • Alimentação e bebidas;

  • Habitação;

  • Artigos de residência; 

  • Vestuário;

  • Transportes; 

  • Saúde e cuidados pessoais;

  • Despesas pessoais;

  • Educação; 

  • Comunicação.

A cesta de produtos e serviços que são avaliados nas coletas de preços do IPCA é definida pela Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), do IBGE. É ela que indica o que a população consome e o quanto da renda familiar é gasta em cada item.  

Esse, inclusive, é mais um indicativo da importância do IPCA. Afinal, ele considera não apenas a variação do preço de cada item, mas também o impacto no orçamento das famílias brasileiras.

De tempos em tempos, a cesta de produtos e serviços que são avaliados para compor o IPCA muda para acompanhar os hábitos de consumo da população brasileira.

A atualização mais recente foi referente aos anos 2017 e 2018, que passou a incluir itens de consumo que ganharam relevância nos últimos anos, como transportes por aplicativo e serviços de streaming.

Outros produtos, como aparelhos de DVD e assinaturas de jornais, perderam espaço na vida das famílias e foram retirados da cesta. Ao todo, são considerados 377 produtos e serviços.

A POF 2017-2018 revelou que 72,2% das despesas de consumo das famílias brasileiras são representadas pelo conjunto de itens de alimentação, habitação e transporte.

Veja esse vídeo do canal do Banco PAN do YouTube que explica esse índice e como ele afeta sua vida.

Pesos para o cálculo

Para calcular o IPCA, além de verificar a variação dos preços, o IBGE usa um sistema de pesos, que leva em conta qual o impacto de cada grupo nos custos totais das famílias.  

Esses pesos também são baseados na POF, que indica não só quais produtos e serviços são consumidos pelas famílias, como qual parte da renda é usada para cada um deles.

Além disso, cada região pesquisada tem um peso diferente na composição do índice. Mais populosa, a região metropolitana de São Paulo é a que tem mais influência: 32,28% do IPCA é composto pela variação dos preços dessa área. Na outra ponta está Rio Branco: a capital acreana colabora com 0,71% do indicador.

 Alt Homem sentado à frente de uma mesa aponta para papel que está sobre o móvel com uma caneta para mulher que está sentada a seu lado

IPCA-15, PRÉVIA DA INFLAÇÃO OFICIAL DO PAÍS, FICA EM 0,69% EM JUNHO

O IBGE também calcula o IPCA-15, que funciona como uma prévia do IPCA. Os produtos pesquisados são os mesmos para os dois índices. Mas há duas diferenças entre eles.

A 1ª é o período de coleta dos dados, em geral, realizado do dia 16 do mês anterior ao dia 15 do mês de referência.

A 2ª são as cidades consideradas para o cálculo do índice: regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, além do Distrito Federal e do município de Goiânia.

A cada três meses, o índice acumulado do IPCA-15 é divulgado pelo instituto como IPCA-E.

Em junho de 2022, o IPCA-15 ficou em 0,69%, acima da taxa de 0,59% de maio, de acordo com divulgação do IBGE em 23 de junho.

O IPCA-E (trimestral) foi 3,04%, acima da taxa de 1,88% do mesmo período do ano anterior (2021).

Nos últimos 12 meses terminados em junho, a variação do IPCA-15 foi de 12,04%, abaixo dos 12,20% registrados nos 12 meses acumulados até maio. 

Em junho de 2021, a taxa ficou em 0,83%. 

Neste ano, os preços já subiram 5,65%, de acordo com o indicador.

Dos 9 grupos pesquisados pelo IBGE para calcular o IPCA-15, todos apresentaram alta em junho.

O maior impacto geral no indicador veio do segmento de transportes, que subiu 0,84%. 

Já a maior variação foi do setor de vestuário (1,77%). Mas como os transportes têm um peso maior no bolso do consumidor, impactaram mais no índice, apesar de não terem tido a maior variação. 

Em seguida, o segmento de saúde e cuidados pessoais teve aumento de 1,27% e acabou sendo o responsável pelo segundo maior impacto na alta geral dos preços.

Para o cálculo do IPCA-15 de junho de 2022, os preços foram coletados de 14 de maio a 13 de junho e comparados com os vigentes de 14 de abril a 13 de maio.