IPCA sobe em 1,25% em outubro, a maior variação para o mês desde 2002

IPCA-15 de novembro, prévia do indicador, ficou em 1,17%, com 9,57% no acumulado do ano

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Por Rodrigo Chiodi

*Texto atualizado em 25.11.2021, com dados do IPCA-15 de novembro

O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que é considerado a inflação oficial do Brasil, ficou em 1,25% em outubro de 2021. Foi a maior variação para um mês de outubro desde 2002, quando a taxa havia ficado em 1,31%.

O resultado foi divulgado nesta quarta-feira (10) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). No ano, o IPCA acumula alta de 8,24% e, nos últimos 12 meses, de 10,67%, acima dos 10,25% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em outubro de 2020, o índice tinha ficado em 0,86%.

Todos os 9 grupos de produtos pesquisados pelo IBGE para o IPCA tiveram alta no mês. O que teve maior impacto no índice de outubro foi o de transportes, com a maior variação no mês, de 2,62%.  

Segundo o IBGE, essa variação foi puxada, principalmente, pelo preço dos combustíveis, que subiu 3,21% em outubro. Na medição do instituto, a gasolina subiu 3,10% no mês, 6ª elevação consecutiva, com altas de 38,29% no ano e de 42,72% nos últimos 12 meses. 

Além da gasolina, aumentaram em outubro também, segundo o IBGE, na pesquisa para o IPCA:

  • óleo diesel: 5,77%;

  • etanol: 3,54%;

  • gás veicular:0,84%.

Aumento no preço dos alimentos 

A segunda maior contribuição na inflação de outubro veio do grupo Alimentos e Bebidas, em que os preços subiram 1,17% em outubro. A alimentação no domicílio a alta foi de 1,32%, com destaque para os aumentos de tomate (26,01%) e  batata-inglesa (16,01%) no mês.

Quadro mostra as variações mensais do IPCA, com textos indicando a alta no ano até outubro e nos 12 meses terminados em outubro e explicação sobre o que é o índice 

O que é IPCA e por que é importante

O IPCA é um dos índices de preços calculados mensalmente pelo IBGE para medir a variação de preços de uma cesta de produtos e serviços.

O IPCA é divulgado mensalmente junto com o INPC, o  Índice Nacional de Preços ao Consumidor. Os resultados de ambos mostram se os preços aumentaram ou diminuíram de um mês para outro.  

Enquanto o INPC acompanha a variação do custo de vida médio de famílias com renda mensal de 1 a 5 salários mínimos, o IPCA engloba uma parcela maior da população, avaliando o custo de vida médio de famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos.

O IPCA é usado pelo governo federal como índice oficial de inflação do Brasil. Ele serve de referência para a meta de inflação e para as alterações na taxa de juros básica do país, a Selic.

A variação do IPCA ajuda a saber se você consegue comprar os mesmos itens com seu salário. O IBGE facilita as contas. Com a calculadora de IPCA, você pode calcular o aumento dos preços dos produtos e serviços que desejar ou estimar quanto seria o seu salário reajustado pelo índice. 

Homem sentado visto de cima com vários boletos à sua frente, uma calculadora sobre eles e um notebook mais à frente

Como o IPCA é calculado

Desde 1980, o índice é produzido e divulgado pelo IBGE. Todos os meses, o instituto faz um levantamento de cerca de 430 mil preços, em 13 áreas urbanas do Brasil.

Os preços são coletados por técnicos especializados em 30 mil estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços, concessionária de serviços públicos. Desde 2020, o IBGE também passou a contar com robôs virtuais para coleta de preços em páginas na internet.

O período de pesquisa de preços, em geral, vai do dia 1º ao dia 30 do mês de referência, com pequenas variações que são divulgadas previamente pelo instituto.  Para o índice de julho de 2021, a coleta foi feita entre os dias 29 de junho a 28 de julho de 2021 .

Todos esses preços levantados são comparados aos valores coletados no mês anterior. Com esses dados, o IBGE calcula o índice, que reflete a variação nos itens consumidos pela população.  

  • O levantamento é realizado apenas nas regiões metropolitanas de Belém (PA), Fortaleza (CE), Recife (PE), Salvador (BA), Belo Horizonte (MG), Vitória (ES), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Curitiba (PR), Porto Alegre (RS), além do Distrito Federal (DF) e dos municípios de Goiânia (GO), Campo Grande (MS), Rio Branco (AC), São Luís (MA) e Aracaju (SE).

Quais itens compõem o índice 

Os grupos de produtos e serviços que compõem o IPCA são:

  • Alimentação e bebidas;

  • Habitação;

  • Artigos de residência; 

  • Vestuário;

  • Transportes; 

  • Saúde e cuidados pessoais;

  • Despesas pessoais;

  • Educação; 

  • Comunicação.

A cesta de produtos e serviços que são avaliados nas coletas de preços do IPCA é definida pela Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), do IBGE. É ela que indica o que a população consome e o quanto da renda familiar é gasta em cada item.  

Esse, inclusive, é mais um indicativo da importância do IPCA. Afinal, ele considera não apenas a variação do preço de cada item, mas também o impacto no orçamento das famílias brasileiras.

De tempos em tempos, a cesta de produtos e serviços que são avaliados para compor o IPCA muda para acompanhar os hábitos de consumo da população brasileira.

A atualização mais recente foi referente aos anos 2017 e 2018, que passou a incluir itens de consumo que ganharam relevância nos últimos anos, como transportes por aplicativo e serviços de streaming.

Outros produtos, como aparelhos de DVD e assinaturas de jornais, perderam espaço na vida das famílias e foram retirados da cesta. Ao todo, são considerados 377 produtos e serviços.

A POF 2017-2018 revelou que 72,2% das despesas de consumo das famílias brasileiras são representadas pelo conjunto de itens de alimentação, habitação e transporte.

Veja esse vídeo do canal do Banco PAN do YouTube que explica esse índice e como ele afeta sua vida.

Pesos para o cálculo

Para calcular o IPCA, além de verificar a variação dos preços, o IBGE usa um sistema de pesos, que leva em conta qual o impacto de cada grupo nos custos totais das famílias.  

Esses pesos também são baseados na POF, que indica não só quais produtos e serviços são consumidos pelas famílias, como qual parte da renda é usada para cada um deles.

Além disso, cada região pesquisada tem um peso diferente na composição do índice. Mais populosa, a região metropolitana de São Paulo é a que tem mais influência: 32,28% do IPCA é composto pela variação dos preços dessa área. Na outra ponta está Rio Branco: a capital acreana colabora com 0,71% do indicador.

 Alt Homem sentado à frente de uma mesa aponta para papel que está sobre o móvel com uma caneta para mulher que está sentada a seu lado

O que é o  IPCA-15 e qual a diferença para o IPCA? 

O IBGE também calcula o IPCA-15, que funciona como uma prévia do IPCA. Os produtos pesquisados são os mesmos para os dois índices. Mas há duas diferenças entre eles.

A 1ª é o período de coleta dos dados, em geral realizado do dia 16 do mês anterior ao dia 15 do mês de referência. A 2ª são as cidades consideradas para o cálculo do índice: regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, além do Distrito Federal e do município de Goiânia.

A cada três meses, o índice acumulado do IPCA-15 é divulgado pelo instituto como IPCA-E. 

O IPCA-15 foi de 1,20% em outubro. Em novembro de 2021, o IPCA-15 foi de 1,17%, de acordo com divulgação do IBGE no dia 25 de novembro. Foi a maior variação do indicador para um mês de novembro desde 2002, quando ele havia ficado em 2,08%.

Segundo o IBGE, o índice acumula alta de 9,57% entre janeiro e novembro de 2021 e de 10,73% nos 12 meses terminados em novembro/21.

Todos os nove grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram alta em novembro, com destaque para Transportes, que teve a maior variação (2,89%) e o maior impacto sobre o índice.

De acordo com o instituto, o resultado desse grupo foi influenciado, principalmente, pela alta nos preços da gasolina, que ficou em 6,62% em novembro. No ano, esse combustível já subiu 44,83%. O IBGE constatou ainda aumentos nos preços do óleo diesel, de 8,23%, do etanol, de 7,08%, e do gás veicular, de 2,59%.

Outro item destacado pelo IBGE foi o gás de botijão, que em novembro teve alta de 4,34%. O instituto afirma que os preços deste item subiram pelo 18° mês consecutivo, acumulando 51,05% de aumento no período iniciado em junho de 2020.

Para o cálculo do IPCA-15 de novembro, os preços foram coletados entre 14 de outubro e 12 de novembro de 2021 e comparados com aqueles vigentes de 15 de setembro a 13 de outubro de 2021, período considerado para a coleta do IPCA-15 de outubro.