Pandemia e mercado de trabalho: mulheres, jovens e negros foram mais afetados, diz pesquisa

Ipea mostra que esses grupos foram os que mais sofreram com o impacto da pandemia

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Por Rodrigo Chiodi

A pandemia afetou a vida da população brasileira em uma série de áreas, sendo que uma das principais foi o emprego e a renda. Porém, como mostra pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), o impacto da pandemia no mercado de trabalho foi maior para grupos socialmente vulneráveis, como mulheres, jovens e pessoas negras.

O Ipea utilizou dados da PNAD Contínua, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), entre 2012 e 2020. De acordo com essas informações, quase metade da população (48,5%) ficou sem trabalho em abril de 2020, e “a situação se agravou principalmente para os grupos mais vulneráveis e com maiores dificuldades de entrada no mercado de trabalho”, diz o instituto.

“O mercado de trabalho brasileiro que, mesmo em anos anteriores, já não apresentava resultados satisfatórios, apresentou expressiva piora no ano passado, por conta da crise com a pandemia”, escreve o Ipea na análise.

Mulheres seguem em desvantagem

mulher sentada em frente a notebook olhando para a tela com braços apoiados em mesa

Segundo os dados analisados pelo Ipea, as mulheres continuaram em desvantagem no mercado de trabalho quando comparadas aos homens. Mesmo antes da pandemia, elas já tinham mais chances de ficarem desempregadas e, também, menos chances de entrar no mercado de trabalho. Porém, a crise de saúde causada pela Covid-19 agravou esse cenário.

Veja como as taxas de ocupação entre mulheres e homens mudaram entre o 2º trimestre de  2019 e o mesmo período de 2020:

  • 46,2% das mulheres tinham ocupação em 2019. Número caiu para 39,7% em 2020;
  • 64,8% dos homens tinham ocupação em 2019. O índice foi de 58,1% em 2020.

 

Pessoas negras foram mais atingidas que brancas

Homem negro cadeirante usa máscara cirúrgica enquanto lê papel em ambiente externo

 

“Entre os negros e brancos, há diferenciais importantes na taxa de desemprego e na proporção de ocupados”, diz o Ipea. Tanto pessoas negras quanto brancas perderam suas ocupações, mas a diferença de ocupados entre os dois grupos aumentou.

O Ipea usou dados de 2015 e de 2020 para a comparação e chegou a esses números:

  • 55,1% das pessoas negras possuíam ocupação em 2015. O número caiu para 45,9% em 2020;
  • 57,5% dos brancos tinham ocupação em 2015. O índice caiu para 51,2% em 2020.

 

Os pesquisadores chamam a atenção de que a diferença no percentual de negros e bancos com ocupação em 2015 era bem menor do que em 2020. Para eles, o estudo “comprova que houve aumento tanto na transição para desemprego e/ou inatividade quanto a redução na entrada para ocupação de forma mais intensa para os negros em 2020”.

Jovens também sentem impacto

mulher em plataforma de metrô usando máscara cirúrgica e luva enquanto segura bolsa.

O Ipea afirma que, no ano da pandemia, a redução nas chances de jovens conseguirem um emprego foi maior. O estudo comparou dois grupos: pessoas de 19 a 29 anos, e o grupo de 30 a 59 anos. Ao analisar dados de 2015 e 2020, percebe-se grandes diferenças entre as taxas de ocupação em cada grupo:

  • Em 2015, 64,7% do grupo mais jovem estava ocupado. Em 2020, o percentual foi de 52,4%;
  • Em 2015, 72% do grupo com mais idade tinha ocupação. Em 2020, o número caiu para 64,7%.

 

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