Com carne cara, famílias brasileiras aumentam consumo de ovos

Alta foi constatada pela Abras, associação dos supermercados, mas preço dos ovos também subiu

Controle
Seus Gastos
Por Rodrigo Chiodi

A alta seguida do preço da carne bovina e a perda de renda causada pela pandemia fez as famílias brasileiras aumentarem o consumo de ovos, como uma forma de complementar a refeição com o alimento que conseguem comprar. 

A Abras (Associação Brasileira de Supermercados) constatou esse aumento em números. O consumo médio de unidades, que era de 195 por pessoa em 2019, chegou a 260 nos últimos 12 meses.

Nesse mesmo período, o preço da carne subiu mais de 35%, segundo o levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), a inflação oficial do país.

A troca aconteceu mesmo com o aumento do preço do ovo: a própria Abras constatou uma alta de 12,12% nos valores somente neste ano, até março.

Em entrevista coletiva, o vice-presidente institucional e administrativo da Abras, Marcio Milan, detalhou esse aumento no consumo de ovos e destacou a mudança no perfil das compras de alimentos das famílias.

“Todas as vezes que o consumidor identifica que determinados produtos não estão cabendo no bolso, corre para fazer a substituição”, disse o executivo na entrevista. “Ele está procurando equilibrar seu orçamento através de alternativas”, afirmou.

Os preços que impactam no consumo de alimentos

Homem em pé diante da gôndola do supermercado segura caixa de ovos
A Abras divulgou o índice Abrasmercado, que acompanha as variações de preços e tendências de gastos familiares em 35 produtos mais vendidos nos supermercados, entre alimentos e bebidas, itens de higiene pessoal e beleza e produtos de limpeza.

Na comparação com fevereiro, o índice mostra que o valor dessa cesta de produtos aumentou 0,7% em março, passando de R$ 633,38 para R$ 637,82. No acumulado de 12 meses, a alta foi de 22,75%.

Os itens com maior aumento de preços em março em relação a fevereiro deste ano foram:

  • Ovo:  6,64%;

  • Arroz: 4,30%; 

  • Carne:  3,25%; 

  • Feijão e farinha de mandioca: 2,60%.

Já os itens que registraram maior queda nos preços foram:

  • Batata: -11,75%;

  • Tomate: -11,36%;

  • Queijo muçarela: -3,23%;

  • Queijo prato: -2,26%.

A amostra do índice Abrasmercado é feita com base nos preços de mais de 600 estabelecimentos em todo o Brasil. 

Vendas sobem

A Abras divulgou ainda que as vendas em supermercados do país cresceram 7,06% no 1º trimestre de 2021 em comparação com o mesmo período de 2020.

Marcio Milan atribuiu esse crescimento ao resquício do auxílio emergencial e ao fim da Medida Provisória 936, que reduziu a jornada e salário de trabalhadores durante os primeiros meses da pandemia.