Faça uma reserva de emergência para resolver “perrengues chiques”

Veja como organizar suas finanças, com controle de quanto ganha e gasta e a importância de ter uma quantia para imprevistos

Controle
Seus Gastos
Por Rodrigo Chiodi
 

 

Suas finanças não estão em ordem, você deixou de pagar alguma dívida e isso provocou algum impacto no seu estado emocional? Se sua resposta foi sim, você não está só. 

Uma pesquisa feita pelo SPC Brasil em 2019 mostrou que oito em cada dez pessoas inadimplentes tiveram algum tipo de sentimento negativo por estarem endividados, sem conseguir pagar todas as suas contas. 

A entidade criou um Indicador de Bem-Estar Financeiro, feito em conjunto com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), para avaliar como os brasileiros estão em relação às suas finanças. 

Um dos pontos pesquisados é se as pessoas estão preparadas para despesas inesperadas. E esse é o quesito em que os brasileiros têm o desempenho mais negativo. Só um de cada dez entrevistados (10,5%) em fevereiro de 2019 conseguiriam arcar com uma emergência, enquanto 63,9% não conseguiriam.

Pode parecer difícil para quem não faz nenhum controle de orçamento conseguir ter uma reserva de emergência. Mas é possível alcançar. E vamos ajudar você nessa tarefa.

O QUE É RESERVA DE EMERGÊNCIA?

Foto mostra mulher sentada em frente a mesa segurando com a mão esquerda um celular e um cartão bancário

Esse é o nome que os economistas dão a qualquer quantia que você tenha guardado para o caso de acontecer um imprevisto. Com um dinheiro separado para isso, você consegue pagar essa despesa sem precisar se endividar.

Mas que tipo de imprevisto, você pode perguntar. Imagine se seu carro quebrar ou o pneu furar e o conserto sair caro? Ou se você precisar fazer algum reparo urgente na sua casa, como um cano que estoura? 

Essas são algumas situações que você pode ter que enfrentar quando menos espera. Mas existem muitas outras. Nós fizemos esse artigo falando de 11 delas, para você entender que elas são bem comuns no seu dia a dia.

A reserva de emergência - ou qualquer nome que você prefira dar à grana que está separada para imprevistos - ajuda a resolver essas situações.

A IMPORTÂNCIA DE CONTROLAR AS FINANÇAS

Aqui, cabe perguntar: você faz algum controle das suas finanças? Sabe exatamente quanto ganha por mês, quanto gasta e se sobra algum dinheiro?  

O SPC Brasil fez uma outra pesquisa para descobrir quantos brasileiros têm esse hábito. E descobriu que, no início de 2020, 48% não controlavam o próprio orçamento

Os motivos são variados. O mais citado (19,7%) entre quem não fazia o controle foi que a pessoa fazia a conta de cabeça de quanto ganha e gasta e entendia que assim estava bom. Outros 16,5% disseram que não tinham disciplina para controlar todos os gastos. E 16,2% afirmaram que, como não tinham um rendimento fixo por mês, não faziam o controle.

Mas os especialistas em finanças dizem que é muito importante organizar essas contas. Assim, dá para saber onde se está gastando cada parte do seu rendimento, se sobra ou falta dinheiro no fim do mês e se o que você ganha dá para pagar todas as suas contas e necessidades. 

Isso pode ser feito onde você se sentir mais à vontade: num caderno, numa planilha no computador ou até com a ajuda de um aplicativo financeiro, que dá para baixar no celular. Nós selecionamos nove desses apps para você escolher o que combina mais com o que precisa.

Muitas vezes, com esse controle, você pode descobrir que tem mais dinheiro do que achava. Ou vai conseguir identificar melhor onde pode cortar gastos se estiver em dificuldades. 

GASTOS “INVISÍVEIS”

Foto mostra mulher segurando um celular com a mão direita e um cartão bancário com a esquerda

É bem possível que você saiba quanto paga de aluguel, água, luz, gás, celular, internet e nas compras do supermercado. Essas contas, mais comuns, estão mais ou menos na cabeça, mesmo de quem não faz um controle de orçamento. 

Mas existem outros gastos, que os economistas chamam de “invisíveis”, que você faz mesmo sem perceber e podem levar uma boa parte do seu dinheiro embora.

No seu cartão de crédito, você pode achar vários deles. Se fizer uma análise bem certinha na fatura, pode descobrir que, por exemplo, fez uma compra por impulso de alguma coisa que não precisava.  

Ou, ainda, que usou muitas vezes o transporte por aplicativo e, de corrida em corrida, às vezes de valores pequenos, a conta ficou mais alta do que você imaginava.

A Federação Brasileira de Bancos, Febraban, identificou outros desses gastos invisíveis que você pode fazer sem perceber.  

Entre eles, estão as multas por pagar contas em atraso. Mesmo que você faça um orçamento, normalmente considera o valor da conta. Só que, se ela foi paga depois do vencimento, haverá uma multa. 

Isso pode acontecer porque você não tinha o dinheiro para quitar aquela conta ou porque esqueceu mesmo a data do vencimento. Em alguns casos, essa multa é bem alta e leva uma parte do seu dinheiro à toa.

Para evitar esse problema, procure pagar todas as contas assim que elas chegarem, sem esperar o vencimento. Isso evita o esquecimento ou até outros imprevistos, como a internet que não funciona bem na hora em que você precisava para pagar o boleto. 

Então, na hora de preparar o seu orçamento, procure considerar todos os gastos que você faz, e não só aquelas “grandes despesas”. Porque tudo isso consome uma parte do seu dinheiro. E fica mais fácil entender para onde ele está indo.

VÍDEO 

O Guigo e o Matheus, do canal Matheus Matando a Grito, fizeram um vídeo para o canal Pra Fazer Mais, do PAN, falando exatamente da importância de fazer esse controle nas finanças e ter um dinheiro separado para coisas que acontecem sem que você esteja esperando.

 

E foram eles que chamaram de “perrengues chiques” esses imprevistos que podem acontecer. Veja as dicas que eles deram. 

Uma das primeiras coisas que eles citam é a importância de se organizar para que o dinheiro que você ganha no mês não seja menos do que o que é gasto.

Também falam que, se você ganhar um dinheiro extra, é importante guardar uma parte dele. Para os tais “perrengues chiques”.