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Pandemia causou queda recorde de empregos no comércio em 2020

Pesquisa anual do IBGE aponta também para quantidade de estabelecimentos fechados e redução de salários no período

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18.08.2022

 

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PorRedacao | Millena PAN

O comércio brasileiro sofreu um baque no primeiro ano de pandemia, com queda recorde de postos de trabalho, fechamento de empresas e redução dos salários.

É o que mostra a Pesquisa Anual de Comércio referente ao ano de 2020, que foi divulgada pelo IBGE na quarta-feira (17).

No intervalo de um ano, a queda de vagas no comércio brasileiro foi de 4%. O número de empresas no ramo caiu 7,4%. Esses percentuais foram os maiores desde o início da série histórica da pesquisa, em 2007.

Além disso, houve redução dos salários, já descontada a inflação, de 5,7% no período.

Dos três segmentos analisados pelo IBGE, apenas o atacadista teve uma pequena melhora no cenário em 2020 – os demais, varejo e comércio de veículos, peças e motocicletas, puxaram a queda.

MENOS PESSOAS EMPREGADAS NO COMÉRCIO

Segundo a pesquisa do IBGE, dos 404,1 mil trabalhadores que saíram do comércio em 2020, 90,4% estavam empregados no varejo.

Nesse segmento, quase todas as atividades tiveram queda de vagas, com exceção de duas. Elas foram consideradas serviços essenciais e continuaram abertas mesmo no período mais crítico de isolamento:

  • hipermercados e supermercados (que teve aumento de 1,8 mil pessoas)
  • produtos farmacêuticos, perfumaria, cosméticos e artigos médicos, ópticos e ortopédicos (318 pessoas)

A maior queda na ocupação aconteceu na atividade de venda de tecidos, vestuário, calçados e armarinho, que perdeu 15,3% de seus trabalhadores, ou 176,6 mil pessoas.

“Todos esses estabelecimentos onde a venda presencial é muito importante para experimentar a mercadoria sentiram os efeitos da pandemia de forma mais acentuada”, analisou a gerente de Análise Estrutural do IBGE, Synthia Santana.

Ao todo, em 2020, o comércio brasileiro empregava 9,8 milhões de pessoas – número abaixo de 10 milhões de trabalhadores pela primeira vez desde 2011.

MENOS EMPRESAS FUNCIONANDO NO COMÉRCIO

Assim como o número de funcionários no comércio despencou, o total de empresas comerciais abertas no país sofreu retração recorde.

Houve uma queda de 7,4% em um ano e, em 2020, havia 1,3 milhão de empresas comerciais no país, menor número desde 2007.

Ao todo, 106 mil empresas fecharam as portas em 2020.

“Para efeitos de comparação, em 2015, ano de recessão econômica, a queda foi de 16 mil empresas. No ano seguinte, ainda no biênio da crise, houve retração de mais 25 mil. O que temos durante o primeiro ano da pandemia é uma queda com efeito quatro vezes maior”, destaca a pesquisadora do IBGE.

O comércio de veículos, peças e motocicletas foi o que mais fechou: 9,9% do total de empresas. No varejo, a queda foi de 8,7%. Já o atacado teve pequeno avanço, de 1,3%.

O isolamento fez com que muitas empresas se adaptassem, com venda online e entrega de produtos em casa ou via drive-thru. Mas os números mostram que nem todas conseguiram fazer isso e sobreviver.

SALÁRIO MÉDIO TAMBÉM CAIU

O salário médio mensal pago no comércio também caiu: em 2019, a média era de 1,9 salário mínimo e passou para 1,8 em 2020.

As remunerações mais baixas foram pagas aos representantes comerciais e aos vendedores de lojas de vestuário, tecido e calçado – que também foram as que mais fecharam, como mostramos antes.

Ao todo, a remuneração dos trabalhadores do setor comercial totalizou R$ 241,6 bilhões em 2020.