Inflação em abril é mais intensa para famílias com menor renda, diz Ipea

Aumentos de preços de alimentos e remédios pesaram mais para essa população

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Por Rodrigo Chiodi

A inflação de abril desacelerou em relação a março para todas as faixas de renda, mas o recuo foi menor para as famílias com renda domiciliar inferior a R$ 1.650,50, principalmente por causa do aumento de preços de carnes, aves e ovos e de produtos farmacêuticos.

É o que mostra o Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda, calculado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e divulgado nesta sexta-feira (14).

O instituto divide a análise em seis faixas de renda familiar. Para todos eles, a inflação baixou de março para abril, como segue abaixo, de acordo com a classificação feita pelo Ipea: 

  • Renda muito baixa (menor que R$ 1.650,50): de 0,71% para 0,45%;

  • Renda baixa (entre R$ 1.650,50 a R$ 2.471,09): de 0,85% para 0,42%;

  • Renda média-baixa (entre R$ 2.471,09 e R$ 4.127,41): de 1,02% para 0,33%;  

  • Renda média (entre R$ 4.127,41 e R$ 8.254,83): de 1,09% para 0,26%; 

  • Renda média-alta (entre R$ 8.254,83 e R$ 16.509,66): de 1,08% para 0,20%

  • Renda alta (acima de R$ 16.509,66): de 1,0% para 0,23%.

Alta puxada por medicamentos e alimentos

Segundo o Ipea, em abril, o grupo saúde e cuidados pessoais foi o principal fator de pressão sobre os preços, especialmente com a alta de 2,7% de produtos farmacêuticos.

Para as famílias de renda mais baixa, pesou ainda o aumento de preços das carnes (1%), aves e ovos (1,5%) e dos leites e derivados (1,5%).

Mas, se por um lado esses aumentos foram registrados, o Ipea explica que houve quedas nas tarifas de energia elétrica (-0,04%), ônibus intermunicipais (-0,11%) e uma menor variação do preço do botijão de gás, cujo aumento passou de 5% em março para 1,1% em abril. E esses fatores são os principais motivos para a inflação de abril ter ficado mais baixa do que em março para a população de renda menor. 

Inflação em 12 meses 

Imagem mostra notas de 20 reais e 50 reais dobradas e espalhadas em uma superfície, com moedas de 1 real sobre elas ao fundo

A variação acumulada do ano mostra que a inflação que atingiu as famílias de renda mais baixa está menor do que para o segmento mais rico da população, com taxas de 2,1% e 2,5%, respectivamente.

O Ipea apontou que a diferença é explicada não só pela desaceleração dos alimentos, que alivia o orçamento das famílias mais pobres, mas também pela alta dos combustíveis registrada no 1º trimestre de 2021, que afeta mais o grupo com rendimento maior.

Na variação acumulada em 12 meses, a taxa de inflação das famílias mais pobres é de 7,7%, acima dos 5,2% registrados para o segmento mais rico da população. 

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