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10.11.2022
PorRedacao | Millena PAN

A falta de representatividade dentro do universo econômico-financeiro faz com que a maior parte da população brasileira — composta por 56% de pessoas negras e 66,7% de cidadãos com rendimento mensal de até dois salários mínimos — não se identifique com ele.
É importante que haja representatividade pois ela permite que nos enxerguemos em determinados lugares ou situações. Ela gera identificação entre pessoas que viveram ou vivem os mesmos problemas.
A representatividade também está relacionada a empoderamento: quando um grupo tem maior visibilidade, ele é consequentemente mais valorizado pela sociedade.
Não aprendemos finanças pessoais na escola. Somado a isso isso há, ainda, uma infinidade de ideias negativas sobre o dinheiro que nos são apresentadas ainda na infância: “dinheiro não traz felicidade”, “dinheiro é a raiz de todos os males”, “só é rico quem nasceu rico”, “se enriqueceu é porque fez algo ilícito”.
Na vida adulta, as crenças e a falta de informação sobre dinheiro acabam se tornando tabu e afetam a nossa vida.
Economia e finanças estão presentes no nosso dia a dia. Todos podem (e devem) ter um planejamento financeiro. Entretanto, grande parte dos brasileiros acredita que esses são assuntos reservados à elite econômica e, portanto, o planejamento financeiro é feito somente por quem tem muito dinheiro. É assim que economia e finanças são geralmente retratados em meios de comunicação como TV e redes sociais.
É comum ouvir especialistas em finanças darem conselhos como “não tenha casa própria ou carro”, “não use cartão de crédito”, “junte o dinheiro e compre à vista”, “jamais parcele”, ou “aplique a regra 50-30-20 e use 50% de seus rendimentos para gastos fixos e essenciais, 30% com itens de estilo de vida e aplique 20% em poupança e investimentos”.
Mas será que todo o brasileiro consegue seguir essas regras?
Já tive uma mentorada que investia 20% do seu salário todos os meses porque ouviu essa dica de um guru das finanças. Em tese, parecia uma estratégia perfeita; contudo, mensalmente ela utilizava o limite da conta e o rotativo do cartão de crédito para “fechar as contas do mês”.
Enquanto o rendimento máximo de uma aplicação de renda fixa — tipo de investimento que minha mentorado fazia — é de 13,75% ao ano. Ou seja, os juros do rotativo do cartão de crédito podem chegar a mais de 400%.
Também já atendi pessoas desesperadas, com medo de serem despejadas pois estavam desempregadas e não tinham como pagar o aluguel. De algumas, ouvi: “em determinado momento da vida, eu tive oportunidade de adquirir uma casa própria, mas não o fiz porque dizem que não vale a pena”.
Casos como esses acontecem porque, na maioria das vezes, as pessoas não conseguem vislumbrar realidades tão diferentes da sua. Por isso, acredito no poder da representatividade financeira: ela nos ajuda a compreender que cada caso é um caso, que não existem verdades absolutas e que (quase) nada na vida é possível generalizar.
É necessária inteligência financeira para ter uma relação saudável e harmoniosa com o dinheiro.
Defino inteligência financeira como a habilidade de saber usar o dinheiro de forma sábia, conhecer suas capacidades — o que recebe e o que paga — e investir em coisas que lhe darão a oportunidade de melhorar seu padrão de vida futuro.
A inteligência financeira está diretamente ligada ao conhecimento das suas capacidades (domínio das finanças), à organização e à disciplina. Ela naturalmente nos conduz ao planejamento, a pensar no futuro. E, para construir o futuro é necessário analisar o presente.
A seguir, apresento três dicas para “organizar a casa”. Vamos lá?
Saiba exatamente qual é o seu rendimento líquido, seu custo de vida e seus gastos mensais com moradia, luz, água, transporte, alimentação, lazer etc. Classifique-os em gastos fixos, variáveis, essenciais e supérfluos.
Use um sistema de controle, como o tradicional caderninho, uma planilha Excel ou um software. Para ter domínio sobre suas finanças, é importante criar o hábito de anotar diariamente seus gastos, dos mais simples aos mais sofisticados.
Tenha em mente que cartão de crédito é apenas um meio de pagamento e que tudo o que for pago com ele deve ser anotado de forma detalhada. Analise mensalmente se os seus gastos reais condizem com o que estava previsto.
A regra básica das finanças é não gastar mais que sua capacidade de renda. Contudo, cada caso é um caso. Por isso, é preciso dominar suas finanças para entender exatamente qual a sua situação e agir de acordo com sua realidade.
Se você já possui equilíbrio financeiro — o que é bastante positivo —, a sugestão é refletir. O que aconteceria se você inesperadamente deixasse de ter seu rendimento? Você já tem uma reserva de emergência?
Defendo que quando não nascemos herdeiros, o nosso primeiro investimento deve ser feito em nós mesmos. Então, é necessário optar por consumir coisas que nos agreguem valor.
O valor gasto com educação, por exemplo, não deve ser entendido como despesa, mas sim como um investimento, pois representa retorno financeiro futuro. Pesquisas apontam que os salários são maiores conforme aumenta o grau de instrução.
Além do ensino tradicional, é possível acessar conteúdos de qualidade navegando por uma infinidade de cursos gratuitos, muitos deles com certificados. Também há uma série de lives com discussões riquíssimas capazes de aumentar seu conhecimento.
Você possui sonhos? Então, transforme-os em objetivos. Pensar em planejamento financeiro se torna muito mais agradável dessa forma. Reflita sobre por que você faz o que faz, por que consome o que consome.
Ao transformar seu sonho em objetivo e o fracionar em metas, você estará encarando o planejamento financeiro como uma forma de organizar os recursos para alcançar suas metas. Assim, o dinheiro será um meio, não um fim.
Por fim, tenha em mente que ninguém vive a sua vida e é você o dono do seu dinheiro, nunca o contrário.
Seu dinheiro deve lhe proporcionar felicidade e satisfação, jamais dor e preocupação. A relação que você estabelece com ele determinará também sua qualidade de vida.
E se você ainda precisa de ajuda para iniciar seu planejamento financeiro ou entender suas finanças, eu estou aqui para ajudar. Envie sua sugestão ou dúvida. Pois, afinal, representatividade (financeira) importa, sim!
LinkedIn - Dirlene Silva
Instagram - @dirlene.economista
*Este artigo é de autoria da colunista Dirlene Silva e não reflete, necessariamente, a opinião do Banco PAN.
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