Famílias de renda muito baixa são as mais impactadas pela inflação em outubro

Instituto constatou que energia elétrica e gás de botijão foram os principais responsáveis por esse impacto no mês passado

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Por Redacao PAN

As famílias de renda muito baixa (que recebem até R$ 1.650,50) foram as que mais sentiram a alta dos preços em outubro medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), a inflação oficial do Brasil. 

A informação é do Indicador de Inflação por Faixa de Renda, pesquisa feita todos os meses pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). 

Enquanto a inflação das famílias de renda muito baixa foi de 1,35% em outubro, a alta dos preços para as famílias com renda alta teve variação de 1,20%. Para as famílias de renda média-alta, o aumento dos preços foi de 1,10%. 

Mais uma vez, o impacto em outubro para os mais pobres ocorreu, principalmente, por causa do grupo de habitação, de acordo com o Ipea. 

Esse grupo teve altas de 1,2% nas tarifas de energia elétrica, de 3,7% do gás de botijão, 0,9% de aluguel e de 1,1% de reparos no domicílio e 0,95% dos artigos de limpeza.

“Ainda que em menor intensidade, o aumento dos alimentos no domicílio, especialmente da batata (16%), do açúcar (6,4%), do café (4,6%) e das aves e ovos (3,2%), também influenciou a alta inflacionária nas faixas de renda mais baixas”, escreveram os pesquisadores do Ipea. 

Como foi a inflação por faixa de renda

Imagem mostra, em primeiro plano, duas cédulas de R$ 100 e aproximadamente 5  cédulas no valor de R$ 50. No fundo, aparece desfocada a mão de uma pessoa branca escrevendo num caderno com uma caneta
O Ipea realiza esse estudo de inflação por faixa de renda todos os meses, baseado nos dados de preços pesquisados para o IPCA, por ele ser a inflação oficial do país.

A medição da inflação por grupo é feita baseada nos produtos mais consumidos em cada faixa de renda e na participação deles no orçamento de cada família. 

É por isso que o instituto consegue medir a faixa de renda que foi mais impactada pela alta geral dos preços. 

No caso das faixas mais altas, o principal motivo da inflação em outubro, novamente, veio do grupo transportes. Isso ocorre por causa dos reajustes de 3,1% da gasolina, de 33,9% das passagens aéreas e de 19,9% dos transportes por aplicativo.

Veja abaixo como foi o aumento dos preços em outubro, conforme cada faixa de renda, de acordo com a pesquisa divulgada pelo Ipea:

  • Renda muito baixa (menor que R$ 1.650,50): 1,35%;

  • Renda baixa (entre R$ 1.650,50 a R$ 2.471,09): 1,25%;

  • Renda média-baixa (entre R$ 2.471,09 e R$ 4.127,41): 1,27%;  

  • Renda média (entre R$ 4.127,41 e R$ 8.254,83): 1,19%; 

  • Renda média-alta (entre R$ 8.254,83 e R$ 16.509,66): 1,10%

  • Renda alta (acima de R$ 16.509,66): 1,20%.

Pelos resultados da inflação  de acordo com cada faixa de renda, pode-se perceber que as pessoas de renda muito baixa, renda baixa e renda média-baixa foram as mais impactadas.

Ainda dá para perceber que, como a inflação geral em outubro medida pelo IPCA foi de 1,25%, as faixas de renda muito baixa e renda média-baixa tiveram uma alta dos preços acima da média geral. 

Já a faixa de renda baixa ficou na mesma média geral do IPCA, enquanto as faixas média, média-alta e alta tiveram uma inflação mais branda em comparação com a alta de preços oficial do país.

Inflação acumulada por faixa de renda em 12 meses

Imagem mostra duas cédulas de R$ 100 dentro de uma cesta de supermercado. No mesmo cenário, abaixo da cesta e ao redor dela, há diversos alimentos. É possível perceber grãos de feijão, por exemplo.
 Quando analisamos um recorte mais amplo, que é a inflação acumulada em 12 meses, a história se repete: as famílias de renda muito baixa são as mais impactadas (11,39%). Já as famílias de renda alta são as que menos sofreram com a inflação (9,32%). 

Aliás, o recorte acumulado de 12 meses mostra que, quanto mais alta a faixa de renda, menor o efeito da inflação. Veja abaixo: 

  • Renda muito baixa (menor que R$ 1.650,50): 11,39%

  • Renda baixa (entre R$ 1.650,50 a R$ 2.471,09): 11,13%

  • Renda média-baixa (entre R$ 2.471,09 e R$ 4.127,41): 11,09%

  • Renda média (entre R$ 4.127,41 e R$ 8.254,83): 10,55%

  • Renda média-alta (entre R$ 8.254,83 e R$ 16.509,66): 9,76%

  • Renda alta (acima de R$ 16.509,66): 9,32%.

O Ipea apontou que, no caso das famílias de baixa renda, destacam-se os aumentos nos preços dos alimentos no domicílio – batata (23,6%), açúcar (47,8%) e proteínas animais como carnes (19,8%), aves e ovos (28,9%) e leite e derivados (8,8%). 

Além disso, há os reajustes de 30,3% da energia e de 37,9% do gás de cozinha (botijão de 13kg), que “explicam grande parte desta alta inflacionária em 12 meses”. 

“Já para as famílias de renda mais elevada, a inflação acumulada no período reflete, sobretudo, as variações de 45,2% dos combustíveis, de 50,1% das passagens aéreas, de 36,6% dos transportes por aplicativo e de 11,6% dos aparelhos eletroeletrônicos”, disse o Ipea.

Como a conta de luz tem sido uma dor de cabeça para muitas famílias, veja aqui algumas dicas para economizar. Veja ainda algumas dicas para economizar com gás, já que esse foi outro problema para boa parte dos brasileiros em outubro.