Famílias de renda muito baixa são as mais atingidas pela inflação em maio

Reajustes de energia, água, gás encanado e de botijão e gasolina foram os fatores com mais influência na inflação, diz Ipea

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Por Rodrigo Chiodi

O aumento dos preços em maio de 2021 foi mais sentido pelas famílias de renda muito baixa, cujos rendimentos são inferiores a R$ 1.650,50. Dados do Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda mostram que a inflação para essas pessoas foi de 0,92% no mês passado.

Enquanto isso, as famílias de renda mais alta – com rendimentos acima de R$ 16.509,66 – tiveram inflação de 0,49% no mesmo período.

O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que é considerado a inflação oficial do Brasil, ficou em 0,83% em maio. O estudo do Ipea se baseia nos dados do IPCA.

O Ipea divide a análise em 6 faixas de renda familiar. Para todas, a inflação aumentou de abril para maio, como segue abaixo, de acordo com a classificação feita pelo instituto: 

  • Renda muito baixa (menor que R$ 1.650,50): de 0,45% para 0,92%;

  • Renda baixa (entre R$ 1.650,50 a R$ 2.471,09): de 0,42% para 0,88%;

  • Renda média-baixa (entre R$ 2.471,09 e R$ 4.127,41): de 0,33% para 0,86%;  

  • Renda média (entre R$ 4.127,41 e R$ 8.254,83): de 0,26% para 0,82%; 

  • Renda média-alta (entre R$ 8.254,83 e R$ 16.509,66): de 0,20% para 0,75%;

  • Renda alta (acima de R$ 16.509,66): de 0,23% para 0,49%.

Esses índices mostram que, quanto maior o rendimento, menor foi a inflação sentida pelas famílias em maio, segundo o Ipea. 

Energia e gás pressionaram a inflação

Em seu estudo, o Ipea destacou que os grupos habitação e transportes foram os que mais pressionaram a inflação em maio.

Os reajustes de energia elétrica (5,4%), tarifa de água e esgoto (1,6%), gás de botijão (1,2%) e gás encanado (4,6%) foram os principais destaques do grupo habitação, aqueles que mais pesaram no bolso dos consumidores.

E esse grupo habitação, destaca o Ipea, foi responsável por 0,42 ponto percentual da inflação das famílias de renda mais baixa. Quer dizer o seguinte: como a alta de preços para esse grupo foi de 0,92% em maio, quase metade desse índice veio desses aumentos.

No caso do grupo de transportes, os aumentos que foram mais sentidos pelos consumidores foram os da gasolina (2,9%), do etanol (12,9%) e do gás veicular (23,8%).

Inflação acumulada no ano e em 12 meses

Imagem mostra uma mão segurando várias cédulas, sendo duas de R$ 50, uma de R$ 20, duas de R$ 5 e duas de R$ 2

Quando é analisado o acumulado de 2021, as variações das famílias de renda alta (3,02%) e de renda muito baixa (3,00%) são praticamente iguais. 

As variações de preços neste ano até maio são as seguintes, por grupo analisado do Ipea:

  • Renda muito baixa: 3,00%

  • Renda baixa: 3,22%

  • Renda média-baixa: 3,38%

  • Renda média: 3,46%

  • Renda média-alta: 3,30%

  • Renda alta: 3,02%

Por outro lado, no acumulado dos últimos 12 meses, a classe de renda muito baixa é novamente a mais impactada, enquanto a classe de renda alta é a menos atingida.

Eis as variações:

  • Renda muito baixa: 8,91%

  • Renda baixa: 8,73%%

  • Renda média-baixa: 8,59%

  • Renda média: 7,94%

  • Renda média-alta: 7,06%

  • Renda alta: 6,33%

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