Como emoções e dinheiro têm relação e podem afetar o orçamento

Entenda a relação entre o seu bolso e as suas emoções e como se controlar para economizar

Controle
Seus Gastos
Por Bruno Cabral

 

As emoções podem influenciar diversos aspectos da vida de alguém e tem potencial para estimular ou não determinadas escolhas e comportamentos. Não seria diferente em relação às finanças pessoais, afinal emoções e dinheiro estão mais relacionados do que se pode imaginar.

Entender como o nosso estado emocional pode influenciar em decisões relacionadas a dinheiro é importante para administrar situações que podem levar a gastos desnecessários e, com isso, prejuízos financeiros que atrapalham o planejamento e a organização financeiros.

Saiba qual é a relação entre emoções e dinheiro, como elas podem impactar os seus gastos pessoais e, principalmente, de que maneira é possível controlar impulsos causados por emoções que podem fazer você gastar demais.

Emoções e dinheiro: qual é a relação?

Agir sob influência de emoções nem sempre é a melhor saída, afinal podemos deixar de pensar de maneira racional por causa de sentimentos diversos. Isso acontece em diferentes aspectos da vida e no relacionamento com o dinheiro não seria diferente.

Existe a possibilidade de que alguém gaste mais do que o necessário sob influência de emoções e, dessa maneira, ter complicações relacionadas ao planejamento financeiro. Esse gasto pode fazer falta no pagamento de contas e, dessa forma, a pessoa pode ficar em uma situação complicada que pode prejudicar seu bem-estar financeiro.

Outro aspecto que marca a relação entre dinheiro e emoções é a ansiedade que a falta de dinheiro pode causar. Isso porque problemas financeiros podem gerar preocupações excessivas que influenciam na saúde mental e podem gerar, inclusive, problemas como estresse e depressão.

Um estudo da FGV (Fundação Getúlio Vargas) em junho de 2021 mostra que a pandemia deixou as pessoas mais preocupadas, estressadas e tristes no Brasil. Entre 2019 e 2020, foi detectado que, entre que participou do estudo:

  • 62% estava mais preocupado (contra 56% em 2019);

  • 47% estava mais estressado (versus 43% em 2019);

  • 31% estava mais triste (contra 26% em 2019).

O mesmo levantamento da FGV indicou que, durante a pandemia, a renda média das pessoas no Brasil atingiu R$ 995,00 no 1º trimestre de 2021, sendo esta a primeira vez que o valor ficou abaixo de R$ 1.000,00.

Esse é um exemplo de como problemas financeiros, como a queda de renda, podem impactar no bem-estar emocional das pessoas. O contrário também pode acontecer: em vez do dinheiro trazer emoções negativas, os sentimentos influenciarem nos gastos.

Como as emoções influenciam nos gastos pessoais?

foto de um homem negro de cabelo crespo e barba pretos, camiseta laranja e calça bege sorrindo sentado em sofá branco enquanto segura celular e cartão de crédito. Ao fundo, parede branca e janela

Impulsividade, ansiedade e preguiça são alguns sentimentos que podem influenciar nos gastos pessoais de alguém e, com isso, atrapalhar o orçamento doméstico.

Entre os sentimentos que podem complicar as finanças, estão a euforia e a impulsividade. São elas que aumentam as chances de se gastar sem planejamento nenhum e, depois, ter que arcar com dívidas que não estavam programadas.

Por exemplo: quando alguém ganha um aumento de salário, essa pessoa pode sair para comemorar, fazer uma viagem de final de semana ou se permitir diversos presentes pela conquista. 

Porém, se em meio à euforia não houver controle de gastos, essas compensações podem se tornar problemas financeiros e dívidas a serem pagas, o que vai consumir parte do orçamento ou mesmo afundar alguém em dívidas.

Além da euforia, a impulsividade também pode fazer alguém gastar mais. É comum encontrar empresas que aproveitam determinadas datas para estimular as compras. É o que acontece, por exemplo, com ofertas que estimulam as compras por impulso na Black Friday.

Com diversas ofertas que sugerem que aquela promoção é única e que uma pessoa deveria aproveitar, é provável que ela seja estimulada a adquirir algo por impulso e, com isso, pode gastar além do que deveria e prejudicar a organização financeira.

A ansiedade também pode estimular gastos. Uma pessoa ansiosa demais pode fazer compras sem refletir o necessário para identificar aquela compra como desnecessária naquele momento. 

Logo, em vez de guardar dinheiro para a aquisição ou fazer a compra em outro momento, ela adquire o produto ou serviço na mesma hora e pode se complicar financeiramente.

Por fim, a preguiça pode ser outro sentimento que atrapalha quem deseja ficar bem com as finanças pessoais. É o caso, por exemplo, de quem até pensa em começar a investir, mas tem preguiça de pesquisar as melhores opções, avaliar taxas, comparar diferentes empresas e correr atrás de informações para escolher boas aplicações.

Com isso, essa pessoa pode não fazer o seu dinheiro render e, dessa maneira, não melhorar o seu padrão de vida e ficar mais exposta aos riscos que a falta de dinheiro pode trazer. Logo, livrar-se da preguiça na hora de pensar em como fazer o seu dinheiro se multiplicar é muito importante.

Saiba mais sobre os impactos da preguiça na vida financeira no vídeo abaixo, do canal Pra Fazer Mais do Banco PAN no YouTube:

Como controlar as emoções para economizar?

  1. Reflita sobre a necessidade de gastar

Repensar sobre a necessidade de fazer uma determinada compra é um importante passo que diminui as chances de gastar por impulso. 

Uma maneira de fazer isso é se perguntar qual é a real diferença que uma compra fará na sua vida, ou imaginar se, depois de um tempo, aquele produto ainda será útil. Ao pensar em aspectos assim, fica mais difícil fazer compras desnecessárias e, dessa maneira, você pode concentrar seus gastos financeiros naquilo que realmente importa para a sua vida.

  1. Trabalhe a inteligência emocional

A inteligência emocional é a capacidade das pessoas em lidarem com as próprias emoções e administrá-las de uma maneira saudável, sem deixar que sentimentos prejudiquem a saúde, bem-estar e rotina de si mesmas ou de pessoas próximas.

Esse tipo de inteligência também é importante para não deixar as emoções influenciarem o seu relacionamento com dinheiro.

Fazer terapia, conversar com parceiros, amigos e familiares e procurar entender a origem das emoções pode fazer a diferença na hora de controlar gastos pessoais e, principalmente, evitar agir sob impulso e gastar além da conta.

  1. Crie metas financeiras

Ter objetivos específicos relacionados a dinheiro pode ser fundamental para evitar a influência das emoções na vida financeira, principalmente aquelas relacionadas a gastos por impulso ou ansiedade.

Se você tem uma meta que quer muito realizar e que envolve as finanças, vai pensar melhor antes de gastar dinheiro que pode fazer a diferença nessa realização. Por isso, procure estabelecer metas financeiras, assim você terá ainda mais motivos para controlar as emoções na hora de pensar em gastar demais.

Ainda não sabe como criar metas financeiras? Aprenda a estabelecer objetivos financeiros que vão fazer a diferença na sua vida.