Quando começar a ensinar educação financeira para as crianças

A educação financeira infantil faz a diferença na vida de qualquer pessoa

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Por Rodrigo Chiodi

A educação financeira infantil é aquele tipo de aprendizado que podemos levar para a vida inteira. 

Até porque as crianças possuem uma capacidade incrível de aprender e usar esse conhecimento na vida adulta. 

Quanto mais novinhos, melhor: o Unicef diz que, entre os primeiros 1.000 dias de vida até os 2 anos de idade, crianças que crescem em um ambiente familiar rico em estímulos e aprendizados aumentam a sua capacidade de aprender e que isso cria “as condições para a saúde e a felicidade delas no presente e no futuro”.

Por que não aproveitar esse momento para ensinar sobre relação com dinheiro? Afinal, todo mundo precisa lidar com esse tema conforme o tempo passa. 

Não fazer isso traz consequências, como a perda de qualidade de vida ou mesmo problemas com dívidas.

Se você tem filhos, irmãos mais novos ou qualquer outra criança na família, pode contribuir bastante para a vida dela ao ensiná-la como a relação com dinheiro pode ser saudável e como a grana que ela vai ganhar ao longo dos anos permite a realização de objetivos e sonhos.

A educação financeira infantil pode ser feita nas mais diferentes fases da infância e começo da adolescência, basta fazer algumas adaptações. Também é importante começar da forma mais lúdica possível, especialmente com os menores, e avançar nas lições conforme a criança cresce.

Saiba quando começar a ensinar educação financeira para crianças e aprenda como fazer isso com 5 dicas!

O que é educação financeira?

A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) usa algumas palavras bem bonitas para falar que a educação financeira “é o processo pelo qual consumidores/investidores financeiros aprimoram sua compreensão sobre produtos, conceitos e riscos financeiros”.

Em resumo: é o ensino de práticas e habilidades para lidar com dinheiro e finanças. Isso é tão importante que a própria OCDE fala que “as pessoas devem ser educadas sobre questões financeiras o mais cedo possível”

Quando a educação financeira infantil deve começar

Menina sorri enquanto coloca dinheiro em papel dentro de porquinho. Ela é negra, tem cabelos cacheados presos para trás, veste camiseta manga longa rosa e está apoiada sobre uma das mãos em cima de mesa branca, enquanto olha para o porquinho

Mas quando é o “mais cedo possível” que a OCDE declara a respeito da educação financeira para crianças? Não há idade para ensinar aos pequenos sobre relação com dinheiro, mas o que muda é o tipo de ensino em cada fase da infância e adolescência.

Um estudo citado pelo projeto Primeira Infância em Pauta diz que as crianças conseguem aprender ainda no útero. Olha só:

  • “No 2ºtrimestre da gestação, sabe-se que o bebê já tem os sentidos desenvolvidos, como a audição e o tato”;

  • “Por volta da 21ª semana de gravidez, o feto já começa a distinguir a voz dos pais”.

O aprendizado sobre dinheiro pode começar desde conversas sobre grana, sem compromisso. Falar sobre o tema já é uma maneira de a criança aprender!

Claro que isso vai avançar ao longo do tempo. Quando a criança já estiver na primeira infância (da gestação até os 6 anos de idade, de acordo com o Marco Legal da Primeira Infância), dá para inserir a educação financeira de forma gradual e lúdica.

Ao longo do crescimento, as conversas sobre grana podem avançar e ser mais específicas. O jogo Banco Imobiliário, por exemplo, já pode ser jogado a partir dos 8 anos.

Depois, dá para incluir a famosa mesada, que permite à criança ganhar seu dinheirinho todo mês e aprender como administrá-lo. Isso já dá até uma ideia do que é um salário.

Vale a pena dar um cofrinho para a criança e estimular que ela guarde dinheiro para comprar alguma coisa que deseja. E, depois, apoiar que ela faça uma compra sozinha - claro, com a supervisão dos pais ou responsáveis -, entendendo o valor de ter guardado o dinheiro para a reserva.  

Por fim, no começo da adolescência já é possível falar até mesmo sobre reserva de emergência ou investimentos. Veja algumas dicas de como ensinar crianças a se relacionarem melhor com dinheiro.

5 dicas para ensinar educação financeira para crianças

Mãe e filho deitados em sofá cinza brincam juntos de colocar dinheiro dentro de porquinho. A mão é branca, tem cabelos cacheados loiros compridos e está ao lado esquerdo do menino, que é branco, tem cabelos castanhos curtos e também sorri enquanto coloca dinheiro dentro do porquinho.

  1. Use o cofrinho

O cofrinho normalmente é a porta de entrada das crianças no universo do dinheiro.

Afinal, o porquinho pode ser usado até como brinquedo, e as moedinhas ou notas podem ser usadas de maneira lúdica: quanto mais pesado o porquinho, mais dinheiro tem ali e mais coisas dá para fazer.

A ideia do cofrinho é ensinar a poupar e, principalmente, que quem poupa consegue fazer muitas coisas e realizar objetivos. 

  1. Estimule a criação de bons hábitos financeiros

Ensinar para crianças hábitos que ajudam a economizar é uma ótima forma de promover a educação financeira infantil.

Quando os pequenos já são alfabetizados ou mesmo já sabem fazer contas simples, dá para estimular a criança a registrar o dinheiro que coloca no cofrinho. Assim, ela terá um tipo de “extrato” do quando está guardando.

Também dá para criar “desafios”: se ela quer muito um brinquedo, estimule a criança a guardar uma graninha até um determinado mês para comprar o item. 

  1. Mostre a importância do planejamento financeiro

Em complemento à dica anterior, é importante mostrar que o planejamento financeiro faz a diferença para realizar sonhos e objetivos.

Por isso, ao longo do desenvolvimento da criança, ensine-a a pensar em longo prazo e estabelecer metas.

Dá para usar datas comemorativas: o Dia das Crianças pode ser uma data em que, além dos presentes dos outros, a criança pode “se presentear” ao juntar dinheiro ao longo do ano e comprar um brinquedo ou ter uma experiência legal em 12 de outubro, por exemplo.

  1. Ensine a evitar o desperdício

Essa dica serve não só para a relação com o dinheiro. Ensine a criança a importância de evitar o desperdício. Não jogar comida fora, desligar a luz de ambientes vazios, fechar a torneira na hora de escovar os dentes.

Mostre que essas atitudes servem para economizar dinheiro e são importantes também do ponto de vista social e ambiental.

  1. Dê o exemplo

Se você ou a família da criança não possuem uma boa relação com a grana, fica mais difícil para os pequenos entenderem como podem usar dinheiro de um jeito positivo.

Pagar contas em dia, falar sobre dinheiro e mostrar como economizar ao fazer compras são maneiras de ensinar pelo exemplo e, dessa forma, ter uma educação financeira infantil bem eficiente.

Agora que você já viu quando e como começar a ensinar educação financeira para crianças, veja lições sobre dinheiro para você ensinar aos seus filhos