O que é educação financeira e por que você precisa dela urgentemente

Assim como todo aprendizado, a educação financeira faz diferença na vida

Controle
Seus Gastos
Por Rodrigo Chiodi

A educação financeira é crucial para qualquer pessoa ter uma relação melhor com o dinheiro e as finanças. Afinal, o universo financeiro está em muitos aspectos da vida, por isso é muito importante que todos tenham conhecimento suficiente para aproveitar aquilo que o dinheiro tem de melhor a oferecer.

Mas, quando pensamos em educação financeira no Brasil, o cenário não é dos mais favoráveis. Como mostra pesquisa do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) e da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas), em uma escala de 1 a 10, a nota média que o brasileiro atribui para o seu próprio nível de educação financeira é de apenas 6,3.

Não à toa, a mesma pesquisa mostra que 46% dos brasileiros não controlam seu orçamento. Além disso, dados de outro estudo, desta vez da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), apontam que o percentual de brasileiros com dívidas atingiu 66,5% em janeiro de 2021.

Vamos entender um pouco mais sobre o que é e para que a educação financeira serve, além de conhecer alguns conceitos básicos que mostram como ela pode ser aprendida em qualquer fase da vida. Vamos lá?

O que é educação financeira?

Mulher mexe em notebook com a mão direita e segura caneta sobre um caderno com a esquerda

A educação financeira é o aprendizado de habilidades e práticas na relação das pessoas com dinheiro e finanças. Também podemos dizer que é “o processo pelo qual consumidores/investidores financeiros aprimoram sua compreensão sobre produtos, conceitos e riscos financeiros”. 

Essa é a definição da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) para educação financeira, presente no documento "Recomendação sobre os Princípios e as Boas Práticas de Educação e Conscientização Financeira”.

O fato de você estar aqui já é um bom começo em um processo de educação financeira, pois, como afirma a OCDE, ela acontece “por meio de informação, instrução e/ou aconselhamento objetivo”, com a finalidade de permitir às pessoas se tornarem “mais conscientes de riscos e oportunidades financeiras”.

Entender mais sobre as relações das pessoas com o dinheiro, conhecer termos e processos financeiros, saber mais sobre juros e taxas, compreender o funcionamento de empréstimos, financiamentos e de sistemas de crédito, tudo isso faz parte da educação financeira. 

Para que a educação financeira serve?

Mulher com uma janela ao fundo olha para o lado direito e sorri

Podemos fazer uma longa lista de razões que explicam para que serve a educação financeira, mas vamos resumir nos tópicos abaixo. Aprender sobre finanças:

  • Traz mais conhecimento sobre o seu próprio dinheiro;

  • Aumenta a segurança e confiança nas tomadas de decisão;

  • Melhora as chances de ascensão social e melhora de qualidade de vida;

  • Permite a realização de sonhos e objetivos;

  • Diminui a ansiedade e estresse em relação às finanças pessoais;

  • Reduz conflitos por causa de dinheiro;

  • Quebra o tabu em relação a ganhos e despesas.

A OCDE também explica que a educação financeira serve para ajudar pessoas a fazer “escolhas informadas, a saber onde buscar ajuda, e a tomar outras medidas efetivas para melhorar seu bem-estar financeiro”. 

Para a organização, aprender mais sobre finanças sempre foi importante para ajudar consumidores a orçar e administrar suas receitas, poupar e investir de forma eficiente e evitar golpes. Por fim, a educação financeira “deve ser tida como ferramenta para promover crescimento econômico, confiança e estabilidade”, de forma complementar à atuação do governo.

A educação financeira é tão importante que “as pessoas devem ser educadas sobre questões financeiras o mais cedo possível”, finaliza a OCDE. Isso mostra que a educação financeira serve para muitas coisas, não é?

Educação financeira: princípios básicos

Vamos começar agora mesmo a enriquecer a sua educação financeira? Separamos 5 dicas com alguns princípios básicos!

Saiba quanto você ganha e quanto gasta

Se você não sabe muito bem quais são os seus rendimentos, fica mais difícil entender se você recebe o suficiente ou não para viver. E, se você não bem quanto gasta, vai ser complicado perceber se está desperdiçando dinheiro ou não. Sem saber quanto você ganha e quanto gasta, as chances da conta não bater aumentam, e você pode gastar mais do que ganha sem perceber. 

Então, um dos primeiros passos é: entenda quanto você ganha por mês, seja com salário, renda extra e outras fontes de renda. Também confira quais são os seus gastos, tanto os fixos (como o aluguel, que possui o mesmo valor todo mês), quanto os variáveis (como os gastos de supermercado, que estão sujeitos à variação de preços).

Você pode ter ajuda de planilhas e aplicativos para listar todos os gastos e ganhos mensais.

Tenha metas e objetivos

Um estímulo para melhorar os aprendizados em educação financeira são metas e objetivos que ajudem você a realizar sonhos. Quer conquistar o seu primeiro imóvel? Está querendo muito adquirir um carro ou moto? Deseja viajar todo final de ano para um lugar especial? Escolha um objetivo que sempre quis realizar, e comece a traçar o caminho em direção à realização dessa meta!

É importante, claro, estabelecer metas que caibam no seu orçamento, assim você não compromete toda a sua renda nem corre o risco de deixar de pagar despesas importantes. Além disso, essas metas precisam ter prazo para começar e terminar, ok?

Crie a sua reserva emergencial

“A vida é uma caixinha de surpresas”. A frase não é popular à toa: nunca sabemos quais são os imprevistos e emergências que podem acontecer e, quase sempre, esses fatos inesperados demandam algum tipo de uso de dinheiro. Pode ser uma questão de saúde, ou uma surpresa desagradável com o veículo ou em casa, ou tantas outras questões que podem simplesmente aparecer na sua vida sem avisar.

Uma lição da educação financeira é possuir uma reserva de emergência para lidar com situações assim. Pois esse “colchão financeiro”, como também é chamada essa reserva, ajuda a diminuir o impacto de qualquer fato inesperado no seu orçamento.

Livre-se da inadimplência

Ter dívidas em um nível saudável é uma coisa. Para estar nesse ponto, quando você pode até possuir parcelas a pagar, mas elas cabem no seu orçamento e não prejudicam a sua vida.  Outra coisa diferente é possuir tantas dívidas que já não é mais possível pagar todas as contas. Com isso, a chance de inadimplência é muito alta, pois cada conta que atrasa começa a aumentar de valor após a aplicação de multas e juros.

Então procure ficar o mais distante possível da inadimplência, e a educação financeira pode ajudar. Ela também ajuda você a entender como é a ocorrência de juros, quais os melhores tipos de financiamento, como escolher uma quantidade de parcelas que não prejudicará o seu bolso etc.

Continue a aprender mais sobre educação financeira

É importante manter o aprendizado sobre educação financeira de forma constante. Sempre é possível aprender um pouco mais a respeito de dinheiro, finanças, orçamento pessoal, planejamento financeiro familiar e uma série de outros temas que, de forma direta ou indireta, já fazem parte da sua vida.

É possível aprender com livros, cursos gratuitos e blogs especializados, como o próprio Amigo do Dinheiro, e ficar por dentro de atualizações e ideias sobre educação financeira. Consumir conteúdo financeiro com frequência vai expandir o seu aprendizado!

Aprenda ainda mais sobre finanças: veja como consumir com consciência e ainda economizar ao controlar os seus gastos!