IGP-M, a “inflação do aluguel", sobe 1,41% em abril de 2022

No acumulado em 12 meses, indicador teve variação de 14,66%. Entenda a importância do índice

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Por Rodrigo Chiodi

 

 

 

*Texto atualizado em 25.02.2022

O IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), conhecido como “inflação do aluguel”, subiu 1,41% em abril de 2022, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV) nesta quinta-feira (28).

Em março de 2022, o índice havia ficado em 1,74%. Em abril de 2021, a taxa tinha sido de 1,51%. Nos 12 meses terminados em abril/22, a variação dos preços medida pelo IGP-M foi de 14,66%.

O indicador é composto por 3 índices: o IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo), que mede os preços no atacado, o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) e o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção).

O IPA subiu 1,45% em abril, após alta de 2,07% em março. Nele, se destacaram os aumentos de 3,10% no grupo de Bens Finais, de 3,40% nos Bens Intermediários. Matérias-Primas Brutas teve queda de -1,82%.

No comunicado em que divulgou os resultados de fevereiro de 2022, André Braz, coordenador dos Índices de Preços da FGV, disse que “importantes commodities agrícolas contribuíram para o arrefecimento da inflação ao produtor, cuja variação passou de 2,07% em março para 1,45% em abril.”

Ele acrescentou que “soja, milho e café, grãos que respondem por 13% do IPA, apresentaram queda média de 7,3% e contribuíram para o recuo de 1 ponto percentual na taxa do IPA.”

Por fim, Braz falou que “a desaceleração só não foi mais expressiva, dado o aumento dos preços do Diesel (14,70%), da gasolina (11,29%) e dos adubos/fertilizantes (10,45%), que responderam por 60% da inflação ao produtor.”

O IPC subiu 1,53% em abril. Ele tinha registrado aumento de 0,86% em março. E o INCC subiu 0,87% em abril, ante variação de 0,73% no mês anterior.

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Além de servir como base de reajuste da maioria dos contratos de locação, o IGP-M também é referência em outros setores. Veja como ele é calculado e como afeta a sua vida.

O que é o IGP-M? 

A sigla IGP-M significa Índice Geral de Preços - Mercado. Divulgado todo mês pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), o indicador é um dos mais citados no Brasil quando falamos em preços, custo de vida e outros temas financeiros.

Ele monitora variações de preços desde matérias-primas até bens e serviços.

O IGP-M foi criado no final dos anos 1940 para medir a movimentação de preços de diferentes atividades econômicas. Por isso, o índice é uma forma de medir todo mês a atividade dos principais setores econômicos no Brasil.

Ele  é formado por outros índices econômicos que abrangem produção, consumo e construção. E a sua divulgação ocorre sempre ao final de cada mês.

Como o IGP-M é calculado?

Foto mostra uma calculadora, 3 notas de 100 reais e 1 de 50 reais em cima de uma mesa, e uma caneta preta apoiada na calculadora 

O cálculo do IGP-M considera a variação de outros indicadores que compõem o Índice Geral de Preços - Mercado. Esses indicadores são medidos em regiões metropolitanas e cidades como:

  • São Paulo;

  • Belo Horizonte;

  • Rio de Janeiro;

  • Salvador;

  • Recife;

  • Porto Alegre;

  • Brasília.

Cada indicador também possui um peso diferente na composição do indicador geral de preços. Veja quais os índices que, somados, formam o IGP-M.

Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA)

5 notas de 100 reais, 2 notas de 50 reais, um saco de juta com arroz e outro com feijão em cima de uma mesa

Tem peso de 60% no IGP-M e indica os preços de produtos agrícolas e industriais que são vendidos entre as empresas, antes de chegarem ao consumidor final. 

Mais de 400 produtos são analisados pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo, como alimentos processados, combustíveis e lubrificantes para produção e alimentos, como soja em grão, laranja e itens de bovinos, suínos e aves.

Como muitos desses produtos têm o preço cotado em dólar, a variação da moeda dos EUA tem forte influência sobre esse índice.

Índice de Preços ao Consumidor (IPC)

Mulher de máscara olha produtos de limpeza em prateleira de supermercado, com um carrinho à sua frente

Com  peso de 30% no IGP-M, o Índice de Preços ao Consumidor mostra a alta ou queda de preços de um conjunto fixo de bens e serviços que fazem parte de despesas comuns das famílias. Custos relacionados a habitação, educação, transportes, alimentação, vestuário e cuidados pessoais são apenas alguns exemplos dos setores analisados. 

Além disso, custos com combos de telefonia, internet e TV por assinatura, tarifas de eletricidade, despesas com itens de higiene e cursos também são medidos pelo IPC.

Índice Nacional de Custo de Construção (INCC)

Quatro homens com capacete trabalham na construção de um imóvel, em sua parte interna; um deles carrega uma esquadria; em primeiro plano, aparece um carrinho de mão

Como o nome indica, o Índice Nacional de Custo de Construção analisa os preços do setor de construções habitacionais, especialmente aqueles relacionados a materiais, equipamentos, serviços e mão-de-obra. Ele representa 10% do IGP-M.

Infográfico explica como é feito o cálculo do IGP-M

Para resumir: o IPA monitora a variação de preços para produtores. O IPC observa os custos que pesam no bolso dos consumidores. E o INCC traz os preços da construção civil. Como vimos, cada índice avalia os mais diferentes bens de consumo e serviços que estão na vida de muitos brasileiros.

O IGP-M é um dos 3 IGPs (Índices Gerais de Preços)  calculados pela FGV com esse sistema, que inclui preços no atacado, no varejo e da construção. A diferença entre eles é o período de coleta dos preços considerado para cada índice:

  • IGP-10: analisa preços dos dias 11 do mês anterior ao dia 10 do mês da coleta de dados;

  • IGP-DI: com informações de preços entre os dias 1 a 30;

  • IGP-M: mostra a variação de preços entre os dias 21 do mês anterior ao dia 20 do mês de coleta de informações.

Para que o IGP-M serve?

Mulher sorri no jardim em frente a uma casa, com um carro parado na garagem do imóvel, ao fundo

O IGP-M é conhecido como inflação do aluguel porque ele é o índice mais usado para  reajustar os valores de aluguéis e moradia que acontecem todo ano. 

Por esse motivo, o indicador é referência no mercado imobiliário. Assim, se a variação do IGP-M é alta, significa que o valor do aluguel pago também vai subir muito (ou seja, o custo de moradia pode pesar mais no bolso). 

Se você mora de aluguel ou pretende fazer isso em breve, veja o tamanho do impacto de gastos com moradia e alimentação no seu orçamento.

Além do aluguel, o IGP-M também é usado por empresas de telefonia e energia elétrica, que usam o índice para reajustar tarifas. Além disso, empresas que prestam serviços nas áreas de educação e planos de saúde também consideram o IGP-M na hora de estabelecer preços.

Qual a diferença entre IGP-M e IPCA?

Os dois indicadores, IGP-M e IPCA, são índices que medem a inflação, mas cada um tem um tipo de cálculo e leva em conta diferentes setores também.

Para calcular o IGP-M - assim como o IGP-DI e o IGP-10 -, a FGV usa a variação de preços ao produtor, ao consumidor e os da construção civil. Assim, esses Índices Gerais de Preços acompanham como é a evolução dos valores pagos em diferentes etapas da cadeia de produção e consumo dos produtos. 

Já o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) é um indicador calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)  que leva em conta apenas as variações de preços pagos pelos consumidores por produtos e serviços em todo o país. 

O IPCA é considerado o índice de inflação oficial do Brasil. 

Agora que você já sabe que o IGP-M também é usado para calcular o reajuste de sua conta de telefonia, veja 7 dicas para economizar dinheiro nas contas de celular e TV paga.