Entenda como funciona o Tesouro Direto, tipos de títulos e como investir

Esse tipo de investimento de renda fixa é usado por mais de 1 milhão de pessoas. Saiba o que é e como funciona

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Por Redacao PAN

Quer entender como funciona o Tesouro Direto? Esse tipo de investimento é uma opção tanto para quem quer começar a investir quanto para diversificar aplicações. Além disso, tudo acontece de forma 100% online, pelo computador ou celular.

O número de pessoas que investem no Tesouro chega a quase 1,6 milhão, diz o Ministério da Economia: em julho de 2021, eram 1.597.402 investidores ativos. Foram mais de 460 mil operações de investimento naquele mês, representando R$ 2,46 bilhões.

O que é o Tesouro Direto?

O Tesouro Direto é um tipo de investimento no qual quem investe empresta dinheiro para o governo. É uma aplicação de renda fixa, ou seja,  quem coloca grana no Tesouro sabe quanto o dinheiro terá de rentabilidade - ou o percentual, no caso de prefixados, ou a qual índice ele estará atrelado, no caso de pós-fixados.

O Tesouro é um Programa do Tesouro Nacional feito em parceria com a B3, a bolsa de valores do Brasil. Ele foi lançado em 2002 para permitir que pessoas físicas pudessem comprar títulos públicos federais.

É possível investir a partir de R$ 30,00 e existem diferentes vencimentos, que são os prazos finais de uma aplicação. Ou seja, quem compra títulos do Tesouro pode aplicar uma única vez ou de forma recorrente durante um tempo, até uma data específica.

Tudo acontece de forma digital, então ninguém precisa ir até um banco ou bolsa de valores para colocar dinheiro no Tesouro Direto. A B3 lista outros benefícios

  • Baixo risco e menor custo em relação a outros tipos de aplicações no mercado e a fundos de investimentos;

  • Flexibilidade, pois permite colocar pouco ou muito dinheiro, a depender do objetivo de quem investe;

  • Diversificação de investimentos, de acordo com os diferentes tipos de títulos do Tesouro;

  • Acessibilidade, pois qualquer pessoa física com CPF e conta em instituição habilitada para atuar com o programa do Tesouro pode investir;

  • Cobrança de Imposto de Renda só quando o título for resgatado ou quando houver pagamento de juros, o que depende do tipo de aplicação escolhido.

Afinal, como funciona o Tesouro Direto

foto de uma mulher com olhar atencioso para tela de celular que segura com a mão direita, enquanto segura xícara com a esquerda. A mulher é negra, tem cabelo cacheado e veste blusa marrom e está apoiada em balcão de cozinha, com parede branca ao fundo.

Investir no Tesouro Direto funciona da seguinte maneira:

  1. O Tesouro Nacional emite títulos públicos para captar dinheiro. Quem compra, empresta grana pro governo;

  2. Esses títulos podem ser comprados pelo site do Tesouro ou em empresas como bancos, corretoras ou outras instituições financeiras que operam no programa, chamadas também de agentes de custódia;

  3. Uma pessoa abre sua conta em um agente ou corretora e escolhe um dos títulos oferecidos, a depender dos seus objetivos financeiros;

  4. A partir de R$ 30,00, ela investe em um título prefixado ou pós-fixado, escolhendo o vencimento mais apropriado para suas metas;

  5. Ao longo do tempo, quem investiu recebe juros devido ao empréstimo que fez. Os pagamentos podem ser a cada 6 meses ou no final do vencimento;

  6. Se a pessoa precisar do dinheiro que colocou no Tesouro antes do vencimento, ela poderá vender o título, que será comprado pelo governo pelo preço atual (que pode ser maior ou menor do que o valor pago no momento do investimento inicial).

Os títulos prefixados são aqueles com rentabilidade estabelecida no momento do investimento. Isso significa que, na hora de comprar o título, é possível saber qual será a remuneração caso o investimento seja mantido até a data final, ou seja, até o vencimento.

Os títulos pós-fixados têm rentabilidade ligada a indexadores como o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) e a Selic, a taxa de juros básica da economia. Com isso, os juros desses títulos variam conforme esses índices sobem ou descem.

infográfico com trechos do texto sobre como funciona o tesouro direto, quais os tipos de títulos e como investir, com cores laranja, azul e cinza predominantes.

Quais são os títulos do Tesouro Direto

Existem 5 tipos de títulos do Tesouro Direto. A data de vencimento é sempre indicada ao lado do nome da aplicação (por exemplo, Tesouro Prefixado 2026, com prazo final para o ano indicado). 

Além disso, alguns podem ter remuneração semestral (pagam os rendimentos a cada 6 meses) ou não (pagam os rendimentos somente no final do vencimento, juntamente com o valor investido).

Veja os títulos:

  • Tesouro Prefixado, com rentabilidade estabelecida no momento da aplicação;

  • Tesouro Prefixado com Juros Semestrais, que tem rentabilidade definida na hora da compra do título e pagamento de juros a cada 6 meses;

  • Tesouro Selic, pós-fixado que tem rentabilidade baseada na variação da taxa básica da economia;

  • Tesouro IPCA+ Juros Semestrais, título pós-fixado que paga juros relacionados à variação do IPCA, acrescido de juros estabelecidos no momento do investimento e remuneração a cada 6 meses;

  • Tesouro IPCA+, título pós-fixado com funcionamento similar ao anterior, só que sem pagar juros semestralmente.

O site do Tesouro Direto possui um simulador que ajuda a conferir a rentabilidade de cada título.

Quanto custa investir no Tesouro Direto

foto de notas de 100 reais, 50 reais e 20 reais, com o valor maior sobreposto sobre o menor.

Para investir no Tesouro, além dos valores investidos, é necessário pagar uma taxa de administração para o agente de custódia. Isso significa que o banco, corretora ou instituição financeira na qual investidores possuem contam podem cobrar uma taxa.

Ela é estabelecida pela própria instituição, então é sempre bom procurar uma opção que tenha uma taxa de administração baixa em relação à concorrência. O site do Tesouro Direto tem uma lista que permite comparar taxas entre diferentes bancos e corretoras. 

Também existe a taxa de custódia cobrada pela B3 a cada 6 meses, nos primeiros dias de julho ou janeiro, sempre no pagamento de juros ou na venda de títulos. Hoje, o valor é de 0,25% sobre os investimentos. A taxa será de 0,20% a partir de 2022.  

Ainda há cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) caso os valores aplicados no Tesouro sejam resgatados antes de 30 dias. Ainda deve ser pago o Imposto de Renda na fonte que incide sobre os rendimentos do Tesouro. A cobrança é regressiva:

  • 22,5%, em aplicações com prazo de até 180 dias;

  • 20%, em investimentos com prazo de 181 dias até 360 dias;

  • 17,5%, em aplicações com prazo de 361 dias até 720 dias;

  • 15%, em investimentos com prazo acima de 720 dias

Quanto mais tempo o dinheiro aplicado no Tesouro permanecer lá, menor será a porcentagem de IR cobrada.

 

Além de investimentos de renda fixa, como o Tesouro Direto, existem outros tipos de aplicações que funcionam de um jeito diferente. Saiba mais sobre investimentos de renda variável e conheça alguns tipos.